PASSADOS / PAST

Temos grande honra de convidar para abertura da Exposição Individual de Vasconcellos, Sonhos e Arquétipos – Uma Viagem ao Inconsciente Coletivo a se realizar no dia 16 de outubro, as 20h, na Potrich Galeria de Arte Contemporânea.

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Exposição de 17 outubro a 12 de novembro.

Rua 52 n 689 Jd.Goiás.  Goiânia – GO

CEP 74810-200

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Um regente de tons, temas e sonhos

O artista mineiro, Vasconcellos está de volta ao Brasil para mais uma mostra de arte. A boa repercussão de suas exposições anteriores, na Câmara Federal, em 2008 e 2011, o fez retornar aos bons ventos do Centro-Oeste. Isso porque, há quase quarenta anos, residente na Dinamarca, Vasconcellos que nasceu na cidade de Passos, em 1939, é um legítimo brasileiro com ares europeus. De renome internacional, o artista experimentou o mercado cultural em terras estrangeiras e, para sua felicidade, transita também por entre territórios musicais juntamente com sua esposa, a talentosa pianista goiana Valéria Zanini.

Sonhos e Arquétipos marca a trajetória de sua Nova Linguagem, com retrospectiva de elementos e motivos temáticos inerentes ao inconsciente coletivo. Em tons quase sempre toaster¹ ou pasteis, a pintura de Vasconcellos nos remete àquelas fotografias antigas em que a imagem já quase apagada pelo tempo retoma em forma e cor a lembrança de uma estranha nostalgia.

A presença da figura feminina, ou uma pseudo Têmis é freqüente, notadamente como também o são as garotas de vestidos rodados, as Velazquianas, que agora se apresentam mais púberes. Símbolos da fragilidade, fertilidade e fruto, talvez, da discórdia e cobiça entre os homens seriam elas as tantas Evas, Electras, Helenas, Lolitas, Colombinas ou Julietas. O arquétipo da mulher estaria personificado como a caixa de Pandora, então aberta ao paradoxo das relações de justiça, religião, família e sexualidade. Da esperança que restaria a nós, pobres mortais, o artista cria uma viagem de possibilidades oníricas!

Os sonhos, mitos e lendas elaborados através das histórias orais, discursivas ou dissertativas tendem a reforçar a idéia do metafísico, da ressurreição ou da vitória do bem contra o mal. A brutalidade animal e o fantasmagórico estariam aqui associados às imagens do folclore do Bumba-meu-Boi, ou da mitologia grega, com o Minotauro. Seja por seu realismo mágico ou fantástico, o artista nos convida a observar sua viagem ao inconsciente compartilhando sentimentos, traumas e fantasias. Por isso coletivo, sonhos ou pensamentos que nos são familiares, que representam de alguma maneira ou metaforicamente nossas memórias.

Dito isso, o artista vê a arte como o caminho da luz, da sabedoria. Porque questiona, indaga, intriga e investiga a essência do sentido da vida. Seu parecer é lúcido e muito interessante, por isso transcrevo suas antológicas palavras:

“A arte continua sendo o melhor caminho para libertar o pensamento humano de suas frustrações, suas superstições, seus medos ao longo de uma vida em permanente estado de alerta. E é ela quem aponta como o cordão de Ariadne, a saída do Labirinto.”

A mostra Sonhos e Arquétipos – Uma Viagem ao Inconsciente Coletivo traz 25 obras em diferentes formatos, das quais uma em grande dimensão e outras cinco miniaturas, produzidas no Brasil. Agraciado de muito conhecimento pictórico, Vasconcellos utiliza a técnica mista, sobrepondo a espátula ao pincel, ora na tinta a óleo, ora no acrílico. A dança das cores e figuras sob a tela parecem ter sido entoadas ao som de Frédéric Chopin ou Heitor Villa-Lobos.  O agudo e o grave, o allegro² e o adagio³, o sonho e o pesadelo de que é regida a vida numa mostra que aguça a curiosidade e encaminha o espectador ao longo de um labirinto de descobertas!

1 Do inglês tostado, filtro em aplicativos de celulares que dá a opção do tom envelhecido numa imagem atual.
2 Do italiano alegre, é um andamento musical ligeiro.
3 Do italiano adágio, é um andamento musical lento.

TATIANA POTRICH