Quarta Quarenta Quarentena

“Para o historiador britânico, Eric Hobsbawm (1917-2012), o século 19 só acabou com o 1ª Guerra Mundial. Isso porque mais que um intervalo de tempo, os séculos carregam mensagens, ideias e esperanças. O período de 1801 a 1900, por exemplo, foi marcado pela vitória da burguesia pelo mundo regido pelas invenções que libertariam a humanidade. O século virou oficialmente em 1901, mas foi necessário a carnificina da 1ª Guerra Mundial para demonstrar a utopia de uma sociedade regida pelo progresso, pela ciência e pela ideia de que todos evoluímos igualmente. Dessa vez vemos o evento se repetir. A diferença é que o inimigo é um microrganismo que veio para mostrar como o ser humano é vulnerável. Ao mesmo tempo escancarou nossas desigualdades”.

A antropóloga Lilia Moritz Schwarcz expõe a ideia do historiador britânico que para o fim de cada século há sempre um grande evento, um marco que termina para que outro se inicie. E para cada Revolução Industrial novas invenções são utilizadas, como a máquina à vapor, no século XVIII, os veículos, telefone, televisão e antibióticos, no século XIX, os celulares, o computador, a internet, no século XX e agora, na 4ª Revolução Industrial, dita tecnologia disruptiva, com a robótica, a automação e a nanotecnologia.

Brincando, mas falando sério, comemoramos nossos quarenta anos na quarentena em plena quarta revolução industrial, confinados em casa! Um tanto contrastante, não acham?! Como Schwarcz cita, em meio a todo avanço tecnológico nos percebemos vulneráveis diante de um inimigo invisível. Enxergar nossa pequenez diante do poder da Natureza nos encabula, nos força a procurar respostas e nos volta a atenção ao meio ambiente, a curtir as coisas simples da vida. Paciência ao tédio, contemplação da paisagem, observação do nascer e do pôr do Sol, atenção às fases da Lua!

A sensibilidade dos artistas acompanha essa mudança de comportamento e eles expressam suas sensações conscientes ou inconscientes do atual momento. Quando havia monstros, sombras, insetos, esgotos e robôs nas pinturas do artista Pitágoras, agora nos deparamos com um horizonte limpo, neutro, cheio de natureza e esperança! Será esse o nosso futuro depois desta aprovação virótica, deste sacrifício econômico, desta contaminação e “carnificina” enterrada em valas comuns?

Quem sabe!? Quem sabe os artistas já sabem! A gente acredita na Arte! A gente acredita no futuro próspero!!!

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Tarsila Potrich em balanço Tidelli gentilmente cedido pela AZdecor para montagem da mostra “Potrich – 40 anos de arte contemporânea”, ao fundo obra do artista Pitágoras.