Diário de uma Mãe na Quarentena

Hoje é Dia das Mães e eu como uma boa mamãe venho acompanhando diariamente o desenvolvimento dos meus filhos na escola, em videoaulas, principalmente agora em tempos de quarentena. O mais velho está com 12 anos e frequenta o 7° ano do Ensino Fundamental II, num colégio católico. O professor da disciplina de História acaba de introduzir a Idade Moderna assuntos como a Reforma Protestante e a Contrarreforma. É um tanto desconfortante ler argumentos e críticas sobre o Catolicismo no livro didático do próprio colégio, mas venhamos e convenhamos, o Protestantismo tem lá as suas inúmeras falhas também. Incrível como a Política e a Religião sempre andaram de mãos dadas. Enquanto que, na Monarquia, o Rei e o Papa eram como amigos íntimos, só depois da bronca de Lutero as coisas começaram a mudar ou não.

A Arte sempre permanecera às margens, ou às encomendas da nobreza, como era de praxe retratar os membros de alto escalão e suas extravagâncias. Mas a Idade Moderna superou algumas expectativas, pois depois de Leonardo Da Vinci o mundo nunca mais foi o mesmo. A profundidade da paisagem de fundo da tela da Mona Lisa (1503) viralizou uma hipotética ideia da terceira dimensão, embora atualmente vivamos já o fim da quarta e o início de uma quarentena sem fim.

Um ano definitivamente, sui generis que merece um texto para o dia das mães tão atípico quanto. No começo da quarentena andei postando (mas apaguei) algumas sugestões de filmes em minhas redes sociais. Dentre eles selecionei um clássico do cinema italiano, “O Leopardo” (1963). Embora, literalmente um longa, o filme me marcou, pois após mais de 180 minutos, a frase óbvio ululante do personagem: “Tudo deve mudar para que tudo fique como está” é a máxima da estratégia política que todo maquiavélico tem de saber de cor.

Protestantismos à parte, um recente acontecimento de uma singela troca de ideias contrárias sobre uma postagem nas redes sociais, me vi envolvida opinando à respeito da descriminalização do aborto num perfil que se confirmava de um grupo patologicamente religioso. Enfim, não foi a minha intenção defender de forma ofensiva a minha ideia, mesmo acreditando que nem toda mulher que é capaz de parir tem capacidade de ser mãe, porque isto não é um assunto religioso e sim sociocultural.

Bem estranho falar desse assunto nestes dias, mas levando em conta que nada anda em sua normalidade habitual resgatei a imagem da Galeria de 11 anos atrás toda pintada de vermelho que me remeteu a um típico teste de Gestalt psicológico. Enxerguei uma imensa vagina, orifício único para concepção de um filho, ou sua eterna rejeição. Sei que levantar assuntos como este em tempos de pandemia é como, diria os sábios de gerações passadas, “enxugar o gelo”.

“Acredito que quando a crise acabar as pessoas sentirão ainda mais a necessidade de estabelecer vínculos sociais. Não acredito que possa haver uma mudança fundamental na natureza humana”. Yuval Noah Harari

Nem eu, Harari!

Feliz Dia das Mães! #55quarenteneday

red paulo torres

Mostra Epiderme Urbana, coletiva do artista mineiro Paulo Torres e o fotógrafo Nello Aun, 2011