PASSADOS / PAST

WÉS – mostra de arte

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Uma intervenção numa das extremidades do canoduto do Setor Universitário, repousa a imagem de uma grande cobra sorridente e bufante. Lembra a lagarta lisérgica de ‘‘Alice no País da Maravilhas’’, bufando fumaça sobre seu sibilante caminho. Intervenção Urbana pintada por WÉS (Weslei Gama) através da Lei Municipal de Incentivo à Cultura, com realização da POTRICH Galeria e o apoio da Unitintas e Colorgin, em 2008.

WÉS – mostra de arte é a prévia para um audacioso projeto estilo Reality Show no cotidiano de dois jovens na Europa, vivendo de arte, um com uma câmera na mão e o outro com os sprays e, claro, muitas idéias na cabeça. Com malas prontas para embarcarem no maior Festival de Grafite do Mundo, que acontece na Alemanha, Wés se contenta em ser apenas um ouvinte entre os PhD’s do ofício e, junto ao seu companheiro, Homar Rassi registrarão em película os momentos mais curiosos e suas experiências artísticas nos principais pontos culturais das cidades européias: Barcelona, Paris, Londres, Rotterdam e Berlim.

Apesar da pouca idade, carrega na bagagem trabalhos com artistas renomados como Siron Franco e Neon (EUA). Wés teve seu primeiro contato com a arte de pintar muros em Fortaleza, em 1999, na companhia de primos e amigos. De volta à Goiânia, Wés se engajou no movimento trabalhando com importantes empresas e grafitando muros de concessionárias de carros, lojas de street wear, Casa Cor, Morar Mais e bazares culturais.

Hoje, aos 22 anos, Wés ilustra figuras lúdicas das HQ’s, contos infantis, pássaros, bichinhos de três olhos e seu figurante predileto, o palhaço. ‘‘Acho um personagem massa, sempre gostei. É o cara que pinta a cara de acordo com a situação’’. A pouca idade espanta a espontânea maturidade, reflexo de um talento precoce. A comprovação é visualmente pública para quem quiser conferir. Wés tem trabalhos no Setor Marista, no viaduto da BR 153, no Setor Sul, no Setor Bueno, Centro, Jardim Goiás, em algumas lojas de Street Wear e também, onde mais se orgulha, tatuada na pele de amigos como Grace Carvalho e Geovane, o DOOX.

Fissurado por música, Wés trabalha conforme o tom da melodia. Escuta samba dos anos 40, dub – reagge instrumental como Jah Shaka, Lee Perry, Mad Professor e no rock, Black Sabbath e Deep Purple. Sua fúria sob um som mais carregado se expressa na idéia de imagens como os pássaros, relação que replica sobre certo incômodo com gaiolas: ‘‘Pássaro vivo é pássaro voando’’, justifica.

No grafite mundial admira os trabalhos do brasileiro de Sampa, Speto e o espanhol, SAM. Tem um sonho, que mais é um desafio. Wés deseja pintar a fachada de um prédio muito alto. Feito de grandes artistas de rua, interventores públicos ou até mesmo grafiteiros como os brasileiros OsGEMEOS, que pintaram a fachada do TATE Museum, em Londres. Wés também trabalhou em conjunto com os grafiteiros goianos Santhiago Viera, Ebert Calaça, Rustoff, Mendes, Encio, Plai, Ayog, Does, Dninja e Iowa.

A mostra WÉS acontece no último final de semana de Junho, dias 26 e 27, das 16h às 20h, na Galeria POTRICH. O grafite na fachada da Galeria, com o apoio da Unitintas e Suvinil é o convite para um universo colorido, dimensionado em telas e desenhos sobre papel. Wés guarda figuras delineadas em nankim, elaboradamente executadas. Jorra em telas o spray e a tinta do pincel, que agora exige mais da sua minuciosa habilidade. Sua idéia é a de          Wés detalhando grafite com cotonete     transformar uma máquina espacial, que parece mais a uma astronave arquitetada por um palhaço, num grande brinquedo suspenso no ar. Infelizmente esta obra será exibida apenas por uma ilustração em papel, como ressaltariam advertências de propagandas publicitárias. WËS apresentará 14 telas e 7 desenhos em papel A4.

Weslei Gama, com i, é o Wés que viveu no Rio de Janeiro até os 7 anos, morou em Fortaleza aos 11 e cogita pousar na ZOOropa, em 2010. Lá, provavelmente os bichos estarão soltos num ambiente propício à criatividade. Esperamos que eles se multipliquem, assim como os da cabeça de palhaço do desenho DÉBORA e WËS, feito à lápis, que Wés não terminou…

TATIANA POTRICH

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