Você tem fome de quê?

Aos colegas de minha geração, ou como diria meu filho de 11 anos “a geração do século passado”, sei que serão solidários comigo em rememorar a icônica canção dos Titãs, “Comida” de 1987. A letra é tão atual quanto a maioria dos temas das outras músicas da banda que o refrão dela reverberou, consciente ou inconscientemente para a tradução do título do livro de autoria do médico indiano, radicado nos EUA, Doutor Deekpak Chopra : “Você tem fome de quê?” (2002). O médico que é adepto às teorias de Carl Gustav Jung e ao conhecimento da Ayurveda dividiu em dois grupos distintos hábitos diários com a comida para diagnosticar as causas do desequilíbrio alimentar de cada um. O primeiro grupo tenderia a uma causa mais leve, relacionada a desatenção ou distração na hora das refeições, tipo: a comida seria um entretenimento e não uma necessidade. O segundo grupo exigiria mais cuidados, o descontrole na alimentação teriam causas mais relacionadas ao emocional e uma tentativa de preenchimento de um vazio, de um buraco sem fim… O médico indiano se baseia na holística da cultura oriental e observa que a imprudência alimentar também tem reflexos na negligência com a espiritualidade. A saúde física deve estar diretamente relacionada à saúde espiritual. Para Chopra não há tratamento para uma doença se não há combate aos agentes etiológicos e acrescenta que “o sucesso espiritual não é necessariamente o sucesso financeiro”, tudo faz parte de um cauteloso equilíbrio de valores e sentimentos.

Na sexta-feira passada morreu o 10° homem mais rico do mundo, David Koch, aos 79 anos, de um câncer, cuja doença há anos vinha lutando contra, inclusive investindo grandes quantias para pesquisa científica em busca da cura. O drama desse tipo de notícia é que, apenas num momento como este, a morte, todos nos tornamos iguais, ninguém leva nada daqui, a fortuna de um bilionário não entra dentro dele, nem entra no céu, nem na terra, nem no inferno. O cientista americano, Neil deGrasse Tyson elucida constantemente seus seguidores sobre os mistérios do universo e a fórmula mágica da vida. Simplifica nossa singela e complexa existência nos confortando sobre nossa magnitude e mortalidade. Conclue que conscientes que a vida tem prazo de validade devemos manter um constante zelo aos nossos objetivos, mas principalmente ao nosso tempo, em como utilizá-lo bem para que ao menos realizemos uma vitória para a Humanidade.

Pois se a verdade para Tyson é que nossa energia vital se transforma ou é consumida por outrem após a morte, que cuidemos muito bem dela e das calorias ingeridas para fortalecê-la em vida, pois como pensa Chopra, devemos também cuidar de nossa força espiritual! Fica a questão final, a sua espiritualidade tem fome de quê?

Ilustra o post pintura hiper-realista do artista baiano, Tarcísio Veloso, com mostra prevista para o próximo mês, aguardem!

sorteio

Tarcísio Veloso (BA), “Fome”, óleo sobre tela, 30 x 30, 2019