Universo

Deus, a energia cósmica, o Universo, The Force ou a Mãe Natureza (como queiram denominar, fiquem à vontade), está tentando nos passar um recado urgente, mas tem gente que não quer escutar. A pandemia veio, foi, voltou e anda dando o que falar. Sofremos agora o reflexo das festas de fim de ano e o desespero de viajar, sair de casa, ir pro boteco.  Mal não há, somos livres para fazer escolhas, mas prisioneiros das consequências. Deliciosamente fui adicionada à um grupo de meditação e tenho tentado me dedicar a medida do possível aos exercícios espirituais e mentais, o que não é lição fácil, porém com resultados muito prazerosos. Este trabalho de meditação foi elaborado pelo médico indiano-americano, Deepak Chopra e seus ensinamentos focam o equilíbrio entre corpo, mente e espírito. Adepto à ayurveda, Chopra une a boa alimentação, bons hábitos de pensamento e comportamento ético para uma vida (como diria Buda) no caminho do meio.

Num bate-papo com minha irmã mais velha, sobre todas essas questões de família, carma, efeitos e consequências, dinheiro, desapego e a lei do menor esforço, ela me descreveu uma teoria sobre como nossos atos podem ser matematicamente calculados em uma equação que tanto pode se anular, quanto crescer ou decrescer. Somos apenas pequeninos números neste vasto Universo, um insignificante algoritmo, que atrelado a outros, pode somar, subtrair, multiplicar ou dividir. A Matemática é uma linguagem universal, aqui no Brasil ou lá na China, em Plutão, ou na Via Láctea (se tivermos vizinhos alienígenas é com ela que iremos nos comunicar). Então todos os nossos atos e atitudes, pensamentos e intenções tem uma força numérica. Ela pode diminuir, ou aumentar. Coincidentemente assisti ao trailer do filme, “Pi”  (1998), que tem como enredo um protagonista superdotado que desvenda a lógica matemática dos números e suas repetições em intervalos de tempo.

Os cientistas descobriram recentemente que os buracos negros são portais entre o espaço e tempo. Eles conseguiram comprovar esta teoria ao observarem uma estrela que entrou no buraco negro e após um intervalo de tempo, saiu pelo mesmo lugar. Com certeza ela não saiu a mesma, como diria Heráclito “Não se pode entrar duas vezes no mesmo rio”. Na minha singela opinião, a maior prioridade da meditação é aceitar o fluxo da natureza, entender nossa missão e seguir sem forçar uma resposta. Acreditar no amor, por mais difícil que seja, começando por nós mesmos, nos respeitando, respeitando nosso corpo, nossos hábitos, nosso aprimoramento intelectual, nossas habilidades corporais, nossos cinco sentidos, nossa organização mental, espiritual e material. Por incrível que pareça a Arte tem seu poder de transformação, eu só não sei bem como é essa conta matemática, mas com certeza ela abre os colchetes, as chaves, os  parênteses, aumenta os expoentes e transforma a equação em resultados impressionantes e não sou eu quem estou falando. Muitos cientistas utilizam as cores para explicar o Big Bang, outros, a música. Existem livros que tomam emprestado obras cubistas para exemplificar o movimento e as arestas escondidas dos átomos, ou artistas que são exímios cientistas, como outro conterrâneo indiano-britânico, Anish Kapoor. Kapoor tem uma fixação pela cor, pela luz e seus reflexos e foi a partir do documentário de sua tragetória artística que minha irmã entendeu a particularidade e o algoritmo que cada um é, em como nos refletimos e somos refletidos pelo Universo. Restaria à nós, simples mortais, nos perguntarmos sempre: como e o queremos refletir?

Finalizo com a imagem da aquariana, Marianna Cardoso que ilustra o texto com obra da série “Universo”. A artista pesquisa o abstracionismo, experimentando uma paleta de cores variadas e muito bem distribuídas, em acrílica sobre tela, resultando sugestivos reflexos de possíveis universos particulares!