Uma carta à COVID

A pandemia e mais outros assuntos pessoais me fizeram refletir muito a respeito da nossa vulnerável existência e atitudes imaturas perante o desconhecido. Há uma semana fui diagnosticada com COVID-19, mas não se preocupem, estou bem apesar dos sintomas da perda de paladar e olfato, que já voltam gradativamente. Fui mais acometida por uma interessante tristeza! Vivenciar da entrada da consulta até o exame do laboratório foi quase me projetar nas histórias sobre as experiências científicas dos nazistas em seus prisioneiros. Senti um menosprezo tão grande pelo ser humano vendo aquelas pessoas chegarem, mas não por causa do medo e da minha insegurança, mas pela total falta de bom senso que pairava no ar. Os sistemas de saúde são frios, feios, mórbidos e de uma atmosfera sádica. Os cartazes e avisos são horríveis, as paredes sem cores, sem vida, sem plantas. Tudo é motivo para se entristecer. As pessoas que chegavam eram velhas demais, gordas demais, obesas demais e com hábitos suspeitos como escutar no volume mais alto futilidades da internet. Tive uma epifania, não é a COVID que está adoecendo as pessoas, mas a nossa preguiça mental, nossa aceitação aos costumes arcaicos, aos prazeres pífios da dita evolução tecnológica. Me desculpem a franqueza, mas o mercado da saúde é cínico e sarcástico. Nosso desprezo pela cultura e sabedoria oriental é outro atraso em nossa sociedade, não precisamos de vacina, precisamos da prevenção de bons hábitos, do culto à arte, à cultura, à beleza. Somos aliados dos EUA em quase tudo, inclusive na obesidade. Nunca vi tanta gente gorda, não me admira que o vírus consiga fazer o estrago que está fazendo, ele deve adorar uma gordura. Estou a recuperar meus sentidos novamente e digo, em muito pouco tempo, já que a previsão de casos como o meu são de 15 a dois meses sem olfato e paladar. Sou adepta à auto-hemoterapia e acredito fielmente que ela me preveniu de piores sintomas, não porque sou atleta, (isso é frase feita pra gado dormir), mas porque acredito que estar entre a Arte, escutar músicas boas, cuidar da natureza e da alimentação também são hábitos que ajudam mais que muito medicamento por aí. Se cuidem, caros leitores e leitoras, mas não só em relação à COVID, dos males o menor, cuidem-se das fakenews, dos falsos medicamentos, da ilusão que a contemporaneidade vende e que nos custa muito caro.

Ilustra o texto obra da série “Quase tudo que é imenso lembra o mar”, 2015 de Pitágoras. Uma pesquisa sobre os sambaquis que apresentaremos na íntegra em catálogo virtual no dia 1° de setembro em comemoração aos 30 anos de pintura do artista.