Stairs

Uma intrigante notícia do mundo científico difundida por jornalistas confundiu leitores e constrangeu os cientistas. Após anos de pesquisas na Antártida com a Anita (Antena Transitória Impulsiva Antártida) os cientistas detectaram vários eventos anômalos com a “partícula fantasma”, uma partícula sem carga magnética denominada neutrino.

“Segundo os especialistas, em vez dos neutrinos de alta energia chegarem do Espaço, eles parecem ter vindo de um ângulo estranho, atravessando o interior da terra antes de atingir o detector”. Galileu

Essa observação teria impulsionado uma publicação no The Astrophysical Journal sugerindo um “universo paralelo” onde o tempo funcionaria lá inversamente ao nosso de cá. A notícia se espalhou embora os estudos não estivessem completamente concluídos. Outra notícia que corre no mundo filosófico (mas diga se de passagem também científico), é a teoria da “Caixa”, que descreve o “agora” como um lugar arbitrário no tempo e afirma que o passado, o futuro e o presente existem todos simultaneamente. A teoria é do filósofo americano Bradford Skow e comunga com a teoria de espaço e tempo unificados do cientista Albert Einstein, de 1915.

Ele propõe que o espaço-tempo toma forma de maneira múltipla ou contínua e que se visualizado, você verá os dois como um espaço vetorial quadridimensional. Esse vetor é reconhecido como ‘teoria dos blocos’ “. Pensar Contemporâneo

Ou seja, teoricamente não deveríamos nem envelhecer, né! Esse assunto científico me fez refletir sobre um filme muito peculiar “O estranho caso de Benjamim Button” (2009), que conta a história do protagonista que nasce com 80 anos e retrocede sua idade com o passar do tempo. O grande sonho do multifacetado Charles Chaplin (1889-1977), “Deveríamos nascer velhos (…)  A coisa mais injusta sobre a vida é a maneira como ela termina. Eu acho que o verdadeiro ciclo da vida está todo de trás para frente.”

Visulamente falando ainda sobre cinema, na cena das escadarias para os aposentos da série inglesa, Harry Potter (2001-2011), teríamos uma prévia hipotética de como a ciência (ou a magia) brinca com o mundo material. Quando as escadas trocam de lugar, tal qual como M.C.Escher (1889-1972) havia desenhado isso há quase um século atrás, nos permite observar que o tempo e o espaço coexistiriam paralelamente. Para quem vai ou volta, essa impressão seria verificada a partir de um referencial. A estética da escada seria um excelente demonstrativo experimental para esta teoria. A maravilhosa estrutura arquitetônica em NY, The Vessel, projetada por Thomas Heathewick, por exemplo é um monumento colossal de cobre e aço com 154 lances interconectados de escadas. De fato, ali você terá muitos pontos de vista permanecendo no mesmo lugar, cogitando uma ideia superficialmente.

As escadas além de fascinantes podem ser tão ambíguas quanto nosso sobe e desce, vai e vem, entra e sai. A gigantesca “Escada Infinita” (2013), do artista David McCracken, em alumínio, dá a ilusão d’ótica de estar em ascensão ao céu.  A obra “Escada Inexplicável” (1999), de Regina Silveira é uma pintura sobre chapa de PVC, onde a artista brinca, como de costume, com a sombra e reflexo, em grande escala.  A famosa e super fotografada escada do MAM, no Rio, projeto por Affonso Eduardo Reidy, ou a suntuosa escada do Palácio do Itamaraty, projetada pelo aclamado Oscar Niemeyer são verdadeiras obras de arte ou elementos  engenhosos para estudo científicos.

Dada suas devidas proporções, cada escada, cada sobe e desce, cada neutrino tem sua história para contar. Se há “universo paralelo” eu não sei, mas que uma força magnética nos guia para cima e para baixo constantemente, isso aí a gente sente na panturrilha, na sola do pé, no tendão! Mas daí é outro assunto para Aquiles, né!

evandro

“Escadas” monocromáticas em fios de aço, por Evandro Soares, 2019

(Tatiana Potrich reforçando a panturrilha)