Sejamos Realistas

Viver em Goiânia tem suas vantagens e desvantagens. Uma das vantagens de se viver no Centro do país é que a nossa distância das praias da Bahia é bem menor de quem vive no frio do Sul. No entanto, ser vizinho da Capital traz algumas desvantagens culturais, ou não. Grandes espetáculos e excepcionais mostras de arte acontecem em uma das Instituições que mais respeito, o CCBB, onde uma de suas unidades está localizada em Brasília. Shows, teatros, exposições e grossos incentivos federais da cultura acabam se concentrando no Distrito Federal. Ruim pra nóis, goianienses, que só temos um prestigiado evento por ano denominado por “Villa”, mas ainda bem que podemos considerar Brasília nosso quintal, a proximidade nos permite um intercâmbio cultural muito mais vantajoso que os daqui, na minha opinião!

Sempre tive o hábito de visitar as mostras de arte do CCBB desde os anos 2000 e, como emana o mantra da física quântica: “não existem coincidências”. Em fevereiro deste ano o CCBB-DF abriu mostra com curadoria da historiadora de arte paulista Tereza de Arruda, “50 anos de Realismo: do fotorrealismo à realidade virtual”. A curadora fez uma seleção de artistas nacionais e internacionais para levantar questões sobre a história do Realismo nas Artes Plásticas e como a sociedade e seu tempo vem sendo registrada pelos artistas.

A variedade de suportes e temas da mostra que abordaram o Realismo, o Fotorrealismo e o Hiper-realismo adubou um terreno para colher frutos em áreas científicas como a Informática e a Psicanálise e “justamente por essa aproximação, surge certo estranhamento e desconforto no momento em que nos perguntamos o que é realidade e qual sua importância na representação artística”. (Tereza de Arruda)

Este foi o cerne para a realização da nossa próxima mostra de Arte “Realismos Particulares”. A Potrich Galeria convida para a primeira inédita de dois artistas que primam pela pintura sobre tela e entendem a realidade com suas devidas particularidades. O artista goiano, Avi Neto foi aluno ouvinte na FAV/UFG e divagou sobre grandes feitos de Mestres da pintura elegendo como estilo o “Realismo Mágico” criando características próprias em suas obras. O artista baiano, Tarcísio Veloso vem com uma bagagem autodidata somada a estudos de aulas de teatro e prática pictórica nos estilos do Romantismo e Hiper-realismo e idealizando o sonho como narrativa. Dois artistas que elucidam sua realidade através da primorosa figuração, com certas peculiaridades, no estilo realista. O que eles têm em comum com os outros 30 artistas da seleção de Tereza de Arruda? Eles demonstram, em coletividade, o quanto ainda somos orgânicos e movidos pela emoção, se valendo da máxima “realidade nua e crua”, “a vida como ela é” e como nela ainda vivemos, sobrevivemos e sonhamos.

O artista apenas registra seu ponto de vista do momento que vive. Se para o goiano Avi, o momento é feminista, de emponderamento da mulher que pensa, educa (ou adestra) e age com sensibilidade, para o baiano Tarcísio o momento é de militância por causas urgentes, como os direitos humanos e um olhar mais atento às crianças, ao futuro. Ambos estão corretos! São mesmo essas as urgências do momento.

Sejamos realistas, meus caros!

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Avi Neto, “Mr. Peony”           –            Tarcísio Veloso, “Soldadinho”