Planeta das Macacas

Podem me chamar de feminista, que assumo a responsabilidade. Alguns fatos da atualidade, que muito me parecem relevantes confirmam o consciente coletivo de um feminismo mundial crescente.

Um deles é a continuação da épica filmografia de Star Wars (2016 – 2017) protagonizada por ninguém mais, ninguém menos que uma mulher no papel de Jedi. Outra constatação cinematográfica foi o filme Logan (2017), onde o cansado, Wolverine e o decadente Professor Xavier são reanimados pela força e a juventude de uma jovem mutante. Além de burburinhos dentro dos bastidores acerca da possível continuação de Indiana Jones, que adotaria um nome feminino caso o protagonista fosse uma mulher, o que parece favorável para os críticos. Bem, isso são ficções, a sétima arte em ação como entretenimento, no entanto a vida imita a arte, a arte imita a vida.

Em países desenvolvidos da Europa, operárias ainda lutam pelo direito de salários iguais, prazos mais longos para licença à maternidade e maior abertura para alcançarem cargos políticos. Isso em países “desenvolvidos” viu, gente.

O MASP, Museu de Arte de São Paulo recebeu uma doação, em fevereiro deste ano, do grupo de norte-americanas, Guerrilla Girls,  uma obra transgressora, feminista e ousadamente realista . O grupo que mantém o anonimato das autoras, tramita pelos quatro cantos do mundo suas obras carregadas de denúncias sociais . Diversificando suportes, mas nunca o tema, Guerrilla Girls é uma entidade ativista que funciona mais que qualquer ato político. Elas se apropriam de espaços urbanos com grande visibilidade pública como outdoors, postes e muros onde colam cartazes, utilizam adesivos e todo artefato de publicidade para propagarem ideias, críticas e estatísticas que insistem em boicotar as mulheres no mundo inteiro. A máscara de gorila que usam para se manterem em anonimato é a marca registrada do grupo.

A escritora Virgine Despentes lançou em 2016, o livro a Teoria King Kong sobre a força da mulher e de como essa força poderia ser canalizada para gerar mais igualdade entre os sexos ou quiçá, a superioridade da mulher sob o homem. Despentes tem uma passagem do livro bem pertinente. Eis que descrevo a passagem sem ressentimentos ou ofensas, mas num intuito de acender questionamentos que talvez expliquem tantos abusos sexuais de homens que não sabem se comportar como seres humanos-civilizados:
Como se explica que nos últimos 30 anos nenhum homem tenha produzido nenhum texto inovado sobre a masculinidade? Eles que são tipicamente loquazes e tão competentes quando se trata de discorrer sobre as mulheres? Como se explica esse silêncio em relação a eles mesmos? Porque sabemos que quanto mais falam menos dizem sobre o essencial, sobre o que tem na cabeça. Talvez queiram, por exemplo, que digamos o que pensamos dos estupros coletivos? Diremos que eles querem mesmo é foder entre si, olhar para os paus uns dos outros, excitar-se juntos, diremos que eles tem vontade de meter nos cus uns dos outros”.

Temos de agradecer a estas Macacas Maravilhas, que tem coragem de expressar os sentimentos de tantas mulheres reprimidas, que são obrigadas a se tornarem princesas quando, em verdade, querem se tornar guerreiras. Viva Lá Revolución! Que venha o Planeta das Macacas, das Jedi’s, das Mutantes, das Indianas Janes! Tá tudo dominado!

guerrilla girls

Via @adrianopedrosa com links para @guerrillagirls @masp_oficial