PAZcoa

Às esperas da Páscoa fomos presenteados com o incêndio na Catedral Notre Dame, mas não digo isso com sarcasmo, o presente em si (com primeiras, segundas e terceiras intenções) foi o de sermos surpreendidos com as doações milionárias de bilionários da high society.  Que bonitinho! Jesus Cristo ficaria orgulho com a atitude desses seres tão desapegados, não é mesmo? Mas a verdade verdadeira é que toda atitude está carregada de boas e más intenções. Observamos essa ambiguidade na própria natureza, como nas árvores, pois através de seus galhos crescem rumo à luz do Sol e suas raízes descem rumo à escuridão do subsolo.

O próprio coelhinho tem um ambíguo simbolismo na sociedade. Na Páscoa, ele simboliza a chegada da Primavera, no Hemisfério Norte onde teve sua origem romântica, quando as primeiras flores desabrocham e eles saem de suas tocas para procriarem. Ícone da sexagenária Revista Playboy, que tinha como conteúdo o registro erótico de celebridades femininas, o coelhinho foi promovido à coelhinha sexy! Que contrastante o simbolismo desse bichinho, né!

Se observarmos cuidadosamente e nos atentarmos aos detalhes constataremos, que tudo tem um vínculo de ambiguidade e, por incrível que pareça, observar bem estes detalhes podem fazer a diferença em nossas opiniões, decisões e julgamentos.

A Arte tem o poder de subliminar perspectivas importantes que exercitam e desafiam nossa sensibilidade e senso crítico. O cinema, em minha opinião é a expressão máxima e mais completa da Arte. Ele é uma expressão viva, em movimento que inclui todas as Artes: literatura, arquitetura, música, dança, pintura, performance, moda, design… Tudinho!!! Num mesmo filme podem estar contido todas as manifestações artísticas. “Star Wars”, por exemplo, consegue essa proeza, mesmo não sendo mais aquele Rei da Bilheteria, a saga nunca perderá sua majestade. Principalmente pela atualidade do roteiro elegendo como protagonista uma mulher no papel de jedi, a Rey. Foram 40 anos de vida para que eu pudesse “viver para ver” este feito no cinema. O antagonista é o jedi Ben, filho da Princesa Léia com o contrabandista, Hans Solo. Observe as ambiguidades presentes nos detalhes do enredo. A princesa e o ladrão, a República e o Império, Rey e Ben. O desfecho dessa história é bem diferente dos contos de fada. Ele é dramático e realista, mas nada que a tragédia grega e Freud já não tenham dissertado por aí, o filho mata o pai contrabandista. De fato, nossa heroína, Rey terá um inimigo à sua altura, porque eles têm uma coisa em comum, ela também carrega ressentimentos familiares. Ambos sofrem por dores íntimas e inconscientes, mas há de se fazer uma escolha no modo como lidar com estes sentimentos. O que nos resta é esperar para assistir o final desta trama!

A Páscoa é uma data para repensarmos atitudes e ressentimentos. A Semana Santa vem para celebrar a esperança, o renascimento e a ressurreição de ideias e relações. Se o ser humano é capaz de arrecadar milhões para reconstrução de um Patrimônio Mundial da Humanidade pense no que ele seria capaz para querer a Paz!

“May the force be with you”! Que a paz esteja com você! Que a Páscoa esteja conosco!

Ilustra o post a imagem primaveril da Mata Atlântica, na fotografia impressa em papel Canson, pela Carioca Cristina Oldenburg (2014).

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Cristina Oldenburg, fotografia sobre Canson, 2015.