Para quê serve um Museu?

Antes de mais nada Feliz Ano Novo para vocês, que sejamos todos bem vindos à Era de Aquário e que novos ares encham nossos corações de esperança e saúde! A virada começou bem apesar da grande maioria consciente permanecer em isolamento social. Fomos agraciados com o show high tech do famoso Dj francês, David Guetta “United at Home | Paris” tendo o cenário do Museu do Louvre como palco. Luzes, drones, música eletrônica e projeções de obras de arte tomaram conta da telinha em benefício da UNICEF, patrocinado pelo queridão da hora, o PlayStation 5. O repertório clichê do Dj não deixou abalar sua carismática carreira, mesmo porque não faltaram efeitos especiais reproduzidos nas pirâmides de vidro e a dança de luz sincronizada que contagiou o telespectador do início ao fim!

A remixagem da canção “Dreams” da banda britânica dos anos 70, Fleetwood Mac, foi a trilha sonora para a projeção da icônica obra do pintor romântico Eugène Delacroix, “A Liberdade guiando o povo” (1830). A pintura foi inspiração 50 anos depois para os franceses presentearem os norte-americanos com a Estátua da Liberdade. A letra da música traduz os ônus e os bônus da tão sonhada liberdade:

“Só há trovões quando há chuva”, mas quando chove também podem surgir arco-íris, não é mesmo!? Realmente Guetta got us, nos pegou!

Logo em seguida o Dj nos entusiasma com hits modernos e contemporâneos, numa verdadeira festa trance virtual. Já mais para metade do show quando a plateia atinge o clímax, ele pergunta “Are you feeling sexy”? e finalmente a projeção da mulher mais visitada do mundo, a “Mona Lisa” (1503), de Leonardo DaVinci, ganha espaço e ele solta o som da mixagem “Sexy Bitch” do cantor senegalês, Akon:

Se essa canção não foi feita para a enigmática Gioconda, agora só penso nela quando a escuto, fukin’ sexy bitch!

Enfim, ele prepara as pick ups para a canção “Together” da sensacional cantora australiana, Sia. A projeção é para a tela “Retrato de uma negra” (1800), cuja história é um tanto peculiar. Pintado por uma mulher, Marie Guillemine Benoist, a obra teve grande repercussão porque retratava uma negra semi nua no período pós-abolição. A ousadia não foi só por causa de um seio à mostra, mas porque ele era de uma escrava livre pintada por uma mulher branca. Mais tarde a obra foi renomeada com o verdadeiro nome da modelo “Retrato de Madeleine”.

O show termina num caleidoscópio de imagens e projeções de diversas obras do Iluminismo, Renascimento e Romantismo no prenúncio de um ano com muita luz, Arte e uma pitada de feminilidade. Que os novos ares levem a crer que há mais coisas a serem feitas nos espaços culturais que a nossa vã filosofia possa imaginar. É alimento para a alma, é poesia, é música, é arquitetura, é Arte. Obrigada, David Guetta pela super produção democrática e sensível, para todos os gostos e todas a almas e que continuemos em alimentá-las persistentemente. Fiquem bem, tenhamos fé, mas acreditemos antes de tudo nos artistas e nos cientistas ao invés dos religiosos e políticos. Acredite em 2021!