PASSADOS / PAST

OBRA MARGINAL

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O projeto Obra Marginal se configura em uma “metaobra”?, na medida em que busca suscitar questionamentos e reflexões sobre o espaço urbano, utilizando o próprio espaço. Nesse sentido, a paisagem da cidade é colocada em discussão, suas construções, seus fluxos em trânsito permanente e a relação que trava com os indivíduos que por ela passam.

A Marginal Botafogo é uma via expressa de alta velocidade, com cerca de 14 Km de extensão. Foi construída com o intuito de desafogar o trânsito, retirando parte do fluxo de carros do centro da cidade. Para a construção houve a desapropriação de alguns moradores da região. O nome “Marginal Botafogo”? origina-se do Córrego Botafogo. Desde a sua construção, finalizada em 1991, houve polêmica e controvérsias entre ambientalistas, políticos, magistrados, bem como representantes de comunidades e instituições diversas. Isto porque a urbanização da vertente do Botafogo significou a retirada da vegetação nativa (mata ciliar).

Diante desta transformação, como o córrego e a Marginal se relacionam? Como ela é percebida pelas pessoas que por ali passam? Essas são algumas questões pensadas nas imagens fotográficas da Marginal Botafogo, expostas a partir do dia 14 de fevereiro de 2009 em galeria “a céu aberto”?, nos espaços da Marginal. Essas imagens são percebidas como pertencentes àquele local de tráfego? Será que existe um reconhecimento do local ou um estranhamento? E mesmo tendo sido construída no centro da cidade, não estaria a Marginal, à margem de reflexões sobre ela mesma?

O trabalho

A primeira parte do trabalho constitui-se de fotografias sem manipulação de cores, mostrando a sujeira tal qual ela é. Estas serão colocadas no suporte de outdoors, em confronto com as imagens publicitárias, trazendo à tona a oposição entre os contrários; feio x belo; sujo x limpo; opaco x colorido. Com isso, suscitando questionamentos no espectador, como: É possível reconhecer a Marginal com estas imagens? Ou haverá um estranhamento total? De onde vêm, então, estas imagens “sujas”?? Por que estão colocadas ali? Já a segunda parte do trabalho constitui-se de fotografias com manipulação de cores, mostrando a sujeira transfigurada, levando a outras sensações. Aqui o confronto se dá de maneira inversa, uma vez que as imagens serão colocadas nos muros de proteção da Marginal, sujos e opacas, trazendo também à tona a oposição entre os contrários; belo x feio; limpo x sujo; colorido x opaco. Logo, os questionamentos do trabalho anterior serão colocados, contudo de forma inversa.

Desta maneira, o espaço da Marginal passa a ser o espaço de exposição dela mesma. Com isso, aquela paisagem urbana é transfigurada com o intuito de gerar uma reflexão sobre a sua própria configuração. Além de criar um diálogo com a população em um espaço aberto, transformando a cidade em uma galeria aberta.

Repercussão

Pelo fato de ser uma via expressa, é possível que muitas pessoas não percebam, ao menos pela primeira vez que passarem por ali, aquela “nova”? configuração urbana. Para poder verificar como se dará este processo de percepção, será realizada a documentação fotográfica das fotografias fixadas na Marginal para posterior veiculação das mesmas em um espaço fechado, em exposição fotográfica a ser realizada em maio de 2009.

Professora da Faculdade de Comunicação e Biblioteconomia (Facomb), da Universidade Federal de Goiás (UFG), Ana Rita Vidica é mestre em Cultura Visual, pela Faculdade de Artes Visuais, também da UFG. Atua, ainda, como fotógrafa e desenvolve pesquisas sobre Imagem, atuando principalmente com os subtemas fotografia, publicidade, arte, fotoclube e antropologia visual. É membro da Comissão de Acervo do Museu da Imagem e do Som de Goiás (MIS-GO).

Recentemente, venceu o 1º Concurso de Jornalismo e Gênero, da Universidade de La Plata, na Argentina, com a fotografia de um trabalho jornalístico.


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Ana Rita Vidica

www.obramarginal.com.br

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