O Papa não é Pop!

Uma reportagem de 2018 revelou o arquivo de fotos do artista alemão Martim Dammann que colecionava registros de soldados nazistas do Terceiro Reich com vestidos, saias, lingerie e bijuterias, muitos deles abraçados com colegas de farda.

“É verdade que na coleção de Dammann há também fotografias de soldados americanos e britânicos nas Guerras Mundiais, com roupas femininas. Tem até evidências de crossdressers desde as guerras napoleônicas. Mas até onde ele pode averiguar, eram mais frequentes nas tropas de Hitler”.

Entre o vai e vem de teorias e hipóteses à respeito da liberdade de expressão e licença poética dos soldados sob a justificativa de que era necessário manter um exército na sua melhor forma física e mental possível, “o controle das autoridades era de qualquer jeito limitado, pois mais fácil era um recruta fazer o que bem entendesse, sem correr o risco de represália”. (Jornal Folha de São Paulo 30/11/2018).

O ser humano é uma espécie a ser estudada sem limites. Guerras, Batalhas, Revoltas, Cruzadas, Conflitos em nome de Deus, da ordem e do progresso foram travados para o domínio de territórios, riquezas minerais e naturais, supremacia e higienização de raças, mas ao que tudo indica no final das contas, é que a fragilidade e vulnerabilidade se estabelece em qualquer clã ou vitória que seja. Na última quinta-feira, o Papa Francisco se manifestou em defesa da união cívil entre homossexuais, confirmando seu discurso humanista, desprovido de preconceitos e tabus. Não que a Igreja Católica apoie tanto assim essa ‘heresia matrimonial’, afinal a família de bem ainda é papai e mamãe (mesmo que dentro do armário), mas, porém, contudo, todavia, mantendo as aparências, tipo aquela famosa propaganda de margarina, lembram!? A própria Igreja Católica financiou, durante a escravidão traficantes de navios negreiros para manter a mão-de-obra escrava das construções de templos faraônicos em Salvador, Belém, Manaus, Ouro Preto, Rio de Janeiro, São Paulo… Isso sem citar a sede do Vaticano, só que daí é um outro assunto!

Admitir os erros e se redimir já é um grande passo para a Humanidade. Perdoar o aborto, aceitar a união entre homossexuais, criticar a soberba da Igreja, defender as reservas ecológicas entre outras pautas polêmicas, vão um tanto contra a demagogia popular. O Papa definitivamente não é pop. E assim cantava a banda gaúcha, Engenheiros do Havaí:

“Toda catedral é populista.

É macumba pra turista.

O Papa é pop.

O pop não poupa ninguém”

Lembrem-se que na época, o Führer Adolph Hitler era bem pop! Bem popular e bem mal!

Cuidemo-nos de todo o mal pop! Amém!

Ilustra o texto obra do artista carioca Fabio Carvalho. A produção do artista é o resultado de uma reflexão sobre elementos que constituem as expectativas e representações de gênero e sexualidade, “Macho Toys”, mista sobre tela, 25 x 30 cm, 2011.