O maravilhoso mundo das mulheres de Pitágoras

Entre uma e outra trocada de estação de rádio dentro do carro, escuto o bate-papo de jornalistas sobre o novo filme da Warner Bros, Wonder Woman. O comentário vem de uma voz feminina que acabara de vir do cinema e está deslumbrada com a ideologia e perspectiva feminista que o filme abrange. Ela cita o diálogo da protagonista como se fosse um troféu a todas as mulheres! No entanto, não tarda para que um comentário malicioso, de um de seus colegas de trabalho fosse destilado aos ouvintes: “Nossa, quer dizer que por causa de uma ‘heroína’ os outros super-heróis podem ser ‘enterrados’? É isso que você está dizendo? Que uma mulher é melhor que todos os ‘Vingadores’?” _ “Sim!”, ela respondeu.

É certo que o cinema norte-americano, há tempos, anda puxando sardinha para o gênero mais afeminado. Desde as princesinhas da Disney, que escolhem seu príncipe ou decidem se por não escolherem, como a Elza, de Frozen, Mérida, de Valente ou a havaiana autoconfiante, Moana até a nova esperança de Logan, dos mutantes X-Men, Laura Kinney, uma jovem e poderosa pré-adolescente.

(Vocês devem estar pensando que eu sou uma cinéfila “incurável”, mas eu gosto mesmo é das artes plásticas brasileira).

O tema das Mulheres Maravilhosas não foi por acaso. As obras do artista Pitágoras com a temática da personagem acabaram de desembarcar na capital goiana após uma longa estadia em importantes instituições culturais do país. Pitágoras já se adiantou em multiplicar as imagens da heroína mor das HQ’s, desde 2008/2009. Há princípio foram intervenções capciosas em anúncios publicitários que sempre continham imagens de modelos em poses, caras e bocas que o artista se encarregava de caricaturar. Mas Pitágoras também consegue torna-las atraentes ou sensuais destacando “seus olhos de ressaca” ou as caracterizando como Mulheres Maravilhas em pinturas ou intervenções, algumas até meio ser humano meio robô.

 

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Essa é sempre sua principal proposta. Um futuro robótico como os das ficções científicas ou aterrorizante como a vida em Gotthan City. A realidade de Pitágoras é cruel e protagoniza um registro da sociedade que talvez ainda não tenha sido feito, pelo menos dentro deste ponto de vista. Ele enfatiza a verdade suburbana da sociedade brasileira como uma sátira teatral, em historinhas de seres estranhos, supostamente possíveis, mascarados, maquiados ou fantasiados. É realmente tentadora e convidativa a vida suburbana, quem sabe até um pouco mais que a do high society, no entanto as obras do artista goiano são um choque da realidade. Elas fazem questão de denunciar a natureza animalesca do ser humano, as luxúrias da carne e os prazeres profanos do corpo.

Só mesmo Pitágoras para inventar uma nova perspectiva pictórica para a Mulher Maravilha!

Só mesmo desvendando suas obras para percebermos as dores e as delícias de ser humano, suburbano, imperfeito e “incurável”!

Só mesmo nas HQ’s para existir super-heróis, super-heroínas e super finais felizes!

Porque no maravilhoso mundo das mulheres de Pitágoras os super humanos podem existir, mas como homens transvestidos de heroína.

 

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