Nascido em Primeiro de Maio

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“Figuras desenhadas rudemente, frases manuscritas e fórmulas científicas são misturadas sobre um fundo multicolorido, compondo uma cacofonia visual de cores e formas. As imagens primitivas e infantis refletem os vínculos de Basquiat com a arte do grafite. O quadro parece ser uma destilação do submundo de Nova Iorque, das raízes do artista evocando sua cultura multiética, do hip-hop, e refletindo a realidade veloz e caótica da vida nas ruas da cidade grande, através de uma série de imagens e fragmentos escritos desconexos.” Martins Fontes, 1999.

Esse trecho retirado de O Livro da Arte, sobre uma das obras do artista norte-americano, Jean-Michel Basquiat, bem poderia sintetizar algumas obras do artista goiano, Pitágoras. No entanto, o americano morreu aos 26 anos, em 1985 e Pitágoras completa hoje mais um ano de vida.

A curadora cubana, Dayalis Gonzales poeticamente, concluiu sobre a obra de Pitágoras como sendo um “carnaval de absurdos”, o que caiu muito bem com nossa brasilidade. Pitágoras pode ser comparado, assemelhado, referenciado com diversos artistas, desde a imaginação diabólica de Bosch, no século XIII às obras em tom dramático da arte do exímio pintor, Iberê Camargo. Mas temos todos que admitir que suas pinturas vem carregadas de características inigualáveis à quaisquer outros artistas. São braços robóticos, vespas coloridas, capacetes de astronautas, máscaras respiratórias, toda fauna de animais e claro, travestis e top models desconfiguradas.

Pitágoras não passa a mão na cabeça de ninguém. É um autodidata e vai de Rousseau à Dalida, ou Lady Gaga à Gabriel Garcia Marquez… Com ele não tem lero lero, nem vem cá que eu também quero.  Pitágoras já nasceu trabalhando, no dia 1° de Maio, nasceu com o nome de um dos maiores gênios da matemática, nasceu e ainda vive no bairro Fama. O que mais dizer desde gênio da rebeldia, da inconformidade, da imperfeição, da incongruência… Todos predicativos que um artista necessita ter ele tem de sobra. Não se atreva subestima-lo numa conversa em francês ou tentar persuadi-lo com alguma ideologia fascista, Pitágoras é fogo na roupa e é bem capaz de queimar a sua se sair alguma besteira. Ele leu, assistiu e escutou quase tudo o que você for perguntar a ele. É uma enciclopédia cultural ambulante. Eu adoro!!!

Este aqui não é nenhum texto crítico sobre seu trabalho ou sobre sua pessoa. É só uma carta de feliz aniversário mesmo. Porque ele merece. É um trabalhador. Um poeta da cidade de pedra. Um delator dos crimes da sociedade, uma vítima da crueldade do sistema, um réu da obscenidade de suas imagens, um realista cínico, um otimista iludido.

Eu adoro!

Feliz aniversário, Pite!