Musicalizai vos

Tem um antigo ditado que diz: “O verbo tem poder”. A gente só se dá conta disso quando: “paga a língua”, quando se lembra daquela famosa frasezinha: “bem que a minha mãe me avisou” e principalmente quando medita: “a paz que existe em mim, saúda a paz que existe em você. Namastê!” A magia energética do som não é esoterismo é cientificismo. As ondas sonoras são tão reais quanto as ondas do mar e elas se alteram conforme a frequência. Haja vista nos rituais litúrgicos, shows de rock, estádios de futebol em dia de jogo, espetáculos de orquestras sinfônicas…

Dito isso, poderíamos talvez relacionar a capacidade de raciocínio do indivíduo pela sua preferência musical.  Ora, não há mal nenhum você curtir um pagodinho de vez em quanto se também for dado aos clássicos, ao reggae, ragga, blues, jazz, bossa, lounge, indie, grunge, MPB ou a nova música engajada contemporânea.  O caos é o cidadão só ter a Rádio AM sintonizada ou só de permitir ao discurso religioso 24 horas por dia. Estamos vivendo um momento para refletir e despertar. De que adianta o ser humano progredir tecnologicamente se ele não consegue distinguir a qualidade musical que escuta? Alguns me dirão que o gosto é pessoal, cada um com sua referência cultural e “mimimimi”.

O que ocorre, minha gente e tentarei ilustrar com uma ficção-suspense blasé norte-americana (embora Brad Pitt atue no filme), uma cena tétrica de Guerra Mundial Z. Numa época onde quase toda a população da Terra é contaminada por um vírus zumbi, resta uma cidade protegida por uma enorme muralha, onde religiosos se juntam para pedir ajuda aos Céus. Acontece que a altura do som e as preces por ajuda fazem com que os zumbis fiquem cada vez mais agressivos e obstinados a contaminarem os humanos ainda sãos. Realmente a cena é bem trash, tanto mais trash é a barulheira que andam dizendo por aí que é música.

De fato, o tema da música foi para desabafar sobre um novo incidente nas redes sociais. Ao postar uma imagem da obra do polêmico artista italiano Maurizio Cattelan, na página da nossa Instituição, uma enxurrada de comentários obscuros se estendeu ao longo da nossa timeline. Felizmente uns foram com ideias favoráveis, embora outros, quanta infelicidade! Fiquei um pouco chateada, mas ao visitar o perfil de um dos infelizes me deparei com a obscuridade em questão. Suas publicações se resumem a flyers virtuais de shows  undergrounds de bandas de hardcore chulas e eventos em adoração à Satã. Fala sério, pode isso Arnaldo!? “Perdoai-os, Pai, eles não sabem o que fazem!” Minha dúvida ainda é se o perfil é fake ou é algum ser contaminado por um vírus zumbi.

O artista russo Wallisy Kandinsky (1866-1944) “foi o pioneiro da pintura abstrata como linguagem visual equivalente a música” (via ESTADÃO). Tão surpreendente quanto admirar as suas obras é através delas conseguir decifrar as notas musicais expressadas em suas cores.  Sua pesquisa profunda à respeito das formas geométricas e a harmonização de cores permeiam o Estudo da Música e a vibração da plasticidade visual da obra vinculada à sensação sonora. Que possamos escutar e enxergar mais claramente todas as cores da vida, ora mais escuras, ora mais vibrantes. No entanto, num constante colorido de tons e sons, graves e agudos, fortes e fracos, sempre numa sintonia harmônica à essa trilha sonora do viver e sobreviver. Musicalizai vos!

kandinsky-pintura-azul-aPintura Azul, via Santhatela