Mito

Há uma bela e trágica história na mitologia grega sobre um titã que desobedeceu Zeus para agraciar os humanos. Para quem sabe da trama e suas conseqüências fica fácil identificar a moral da história, mas quem não sabe ou não lembra, tentarei fazer um breve resumo.

Prometeu, um destemido titã em companhia de outros Deuses presenciou a distribuição de talentos à todos os animais do planeta. Os humanos, em especial foram moldados em barro e receberam o sopro sagrado de Atena.  Prometeu se fascinou pela nossa espécie e um elo afetivo os uniria para sempre. A aliança eterna desta relação seria o fogo. A contragosto de Zeus, Prometeu agraciaria os homens com o elemento da luz, quando enfim, prosperariam iluminando um futuro de desenvolvimento e progresso. Mas isso causou muitas competições, guerras, intrigas, ódio e inveja. Zeus puniu severamente a desobediência de Prometeu o castigando com uma terrível tortura. Durante o dia uma águia lhe comeria o fígado e durante a noite o órgão tornaria a regenerar e assim, sucessivamente. Por anos o sofrimento se repetiria até que Hércules mataria a águia e se substituiria no lugar do titã, o centauro, Quíron. O sentimento de desejo de Prometeu pelos homens foi o principal responsável por sua desagradável desobediência. Sua irresponsabilidade em roubar o fogo de Zeus teve uma gravíssima conseqüência.

Os humanos por sua vez também foram castigados pelos seus próprios erros. Eles espalhariam o fogo pelas matas, museus e bibliotecas, pelos canais de comunicação ateariam as faíscas através das cenas de violência, do aculturamento social, do fanatismo religioso e da exacerbada sexualidade explícita. Convém dizer que os humanos foram e continuaram sendo coniventes aos seus erros adorando a bunda nua que rebola na TV, a música xucra de refrões repetitivos e alienantes, as desinformações diárias e os beijos “laicos” das novelas. O homem vive em busca mesmo é do fogo, da guerra, da discórdia e do poder.

Mas Zeus não foi o único a sofrer com a desobediência. O Cristianismo conta a história de Lúcifer, um anjo, que por ciúmes da relação de Deus com nós mortais, o desobedeceu e foi expulso do Céu para arder no fogo do Inferno. Há quem relacione o titã Prometeu ao anjo Lúcifer, cujo significado é aquele que traz a luz. Essas entidades icônicas da literatura da Humanidade se assemelham e se correlacionam por causa da força do fogo inspirando temas para reflexões sobre o comportamento humano. O mito Prometheus, do grego o que possui antevisão, reascende o presságio do caos, da fúria, dos conflitos, dos castigos. Desde a antiguidade artistas retratam as cenas da mitologia pintando, esculpindo, desenhando, moldando.

Uma curiosa escultura do titã, Prometheus, do artista art décô Paul Manship (1934), está localizada na frente do Rockfeller Center, um dos principais centros turísticos de Nova Iorque, que leva o nome da família mais tradicional dos negócios financeiros do mundo. Há quem diga que este é um dos maiores símbolos dos Iluminates, uma teoria da conspiração que elege uma Nova Ordem Mundial para apoiar a seletiva supremacia de certos indivíduos.

Se a arte imita a vida ou a vida imita a arte, isso veremos, identificando seus mistérios e avisos. O mito que conduzirá a nossa espécie para um objetivo justo e decente será aquele que souber a diferença entre o fogo que ilumina daquele que queima!

prometeu-pratoTaça espartana de cerca de 550 a.C. Via Google