Loucura e Ódio

“Há formas de loucura que a razão não pode conter. E há formas de ódio que a razão não pode conter”. Contardo Calligaris

Em tempos de loucura e ódio melhor andar bem informado sobre Cultura. Fiquem ligados ao próximo 12 de Outubro, dia das crianças, o cineasta-artista russo Ilka Khyzhanosky nos presenteará com uma ideia divertida como aquela experiência de ir ao circo e conhecer o sinistro palhaço engraçado. O Projeto DAU, do cineasta premiado é bem propício para a atual conjuntura mundial e sua ousada atitude gerou grande polêmica sobre o adormecido nazismo na Alemanha. A proposta de Kyzhanosky é resgatar o tempo de totalitarismo construindo novamente uma parte do Muro de Berlim para demostrar aos espectadores o que foi o clima de tensão da IIª Guerra. Mas não se assuste, o artista preparou uma programação cultural para quem quiser se arriscar passar pela fronteira alemã. Espetáculos, apresentações e filmes serão exibidos durante o evento que finalizará com a queda do Muro como está registrado na História. A ideia é tão pertinente que uma manchete deste mês sobre um vídeo postado pela Embaixada Alemã conscientizando a população sobre o Holocausto foi contestada por brasileiros que alegavam certos pontos de vista bem errôneos. Num dos comentários um compatriota (professor) tenta redimir o erro dos demais: “A quantidade de negacionistas do Holocausto só nessa postagem é nosso atestado de falência educacional”. A Embaixada Alemã ainda se dá ao trabalho de explicar aos indivíduos mal informados que “quem é contra o nazismo não é de esquerda, é normal”. (via O Globo 25/09/2018).

Artistas que se entregam à uma pesquisa sócio emocional colhem os frutos da sabedoria, pois uma obra de arte é sempre um prenúncio, um alerta, um diagnóstico da sociedade. Se por lá na Alemanha eles sentem uma nova tentativa de retomada dos “neoloucos”, nos EUA os movimentos de retrocesso ideológico de superioridade de raça vigoram em grupos como Kun Klux Klan. Na China, senão por raça, mas por um conservadorismo radical, o artista Ai WeiWei foi exilado de sua terra natal por insistir em denunciar a política totalitária vigente de ávidos ditadores chineses.

Realmente beiramos a volta da Idade das Trevas, talvez por uma maior consequência do Capitalismo ou a falta de autoconhecimento e das nossas reais necessidades emocionais. Vivemos numa constante busca material que nunca preenche a espiritual. Um olhar para a verdadeira Arte nos aproxima, nos educa, nos questiona, nos alerta o quão fundo podemos chegar por ganância, pela falta de humanidade e o excesso de luxuria. Finalizarei o texto com essa imagem assustadora das hélices do navio mais famoso da História, que por obra da Natureza sofreu uma grande tragédia comprovando o quanto a vaidade, o orgulho e a falta de equilíbrio emocional podem afundar um grande empreendimento coletivo. Cuidemos para nos lembrar que não estamos sozinhos, vivemos em sociedade, somos tripulantes no mesmo planeta e a jornada da vida deve ser vivida em coletividade, harmonia e paz, senão acabamos por morrer afogados em nossa própria loucura e ódio.

bildergalerie titanicHélices do Titanic 1912, via Bildergalerie Titanic