Lição

Não existe essa coisa de equilíbrio entre vida e trabalho. Tudo que vale a pena lutar desequilibra sua vida“. (Alain de Boton, escritor e poeta suíço).
O ano de 2020 vem sendo, desde o palíndromo (dia de Iemanjá | 02/02/2020), uma surpreendente caixinha de surpresas. Se foi castigo dos Deuses e das Deusas, ou um puxão de orelha bem dado, temos observado que definitivamente não somos donos de si. Para cada ação uma reação, seja boa ou ruim, ela vem vindo para equilibrar, ou desequilibrar. Casos de suicídios, agressões domésticas, separações vem sendo cada vez mais frequentes neste momento de ascensão da pandemia. Não que um vírusinho tenha causado este estrago todo, mas que ele foi a pequena gota d’água num copo que quase já transbordava, ahh se foi!
Casais famosos, vidas aparentemente perfeitas, juventude recatada e do lar, em pleno turbilhão de rupturas e incertezas. Sempre foi assim? Talvez. Talvez a proporção e a velocidade das informações nos façam acreditar que, atualmente, seja mais trágico, ou que os índices estejam sempre aumentando. Mas vou te contar um segredo, tudo anda e desanda… Grandes artistas que tiveram êxito profissional, principalmente mulheres romperam paradigmas e padrões para se estabelecerem em reforçar suas capacidades, enfrentando períodos de Guerras ou de doenças letais, lá estavam elas.
Escandalosamente, separadas, divorciadas, suicidas ou gays, certas mulheres honraram seu trabalho e deixaram um legado para que outras se encorajassem a isso. Frida Kahlo, Coco Chanel, Camile Claudel, Hilma af Klint, Chiquinha Gonzaga, Cora Coralina, Georgia O’Keefe, Tina Turner, Janes Joplin, Amy Winehouse, Madonna, Lady Gaga, Marina Abramovic são exceções a regra conservadora doméstica. Poderia citar tantas páginas que fossem de mulheres históricas que colocaram a carreira como prioridade, antes da família e maternidade. Salvo, Princesa Diana, que não teve tanto tempo para se firmar uma personalidade altruísta, assim como Madre Tereza de Calcutá, mas ousou se divorciar de um dos maiores partidos do mundo.
O casamento é uma instituição moderníssima. Hoje, nada mais obriga duas pessoas a estarem juntas a não ser o amor“. (Wagner Moura)
A cama de casal violentada pelos instrumentos rústicos do trabalho braçal masculino, a pá e a enxada demonstram, subliminarmente a agressão sexual do coito matrimonial. A inesperada delicadeza do traço do artista, Carlos Mota Morais que escancara uma agressividade normatizada, no desenho à lápis, materializa o que ninguém vê entre quatro paredes. Corajoso, o artista, ao desnudar esta realidade cotidiana em tão sutil ilustração revela o quanto o amor e a dor insistem em dividir o mesmo leito. Interpretar os sinais da contemporaneidade e o que os artistas tem a nos dizer é experimentar as rupturas necessárias para uma nova transformação. Nada é em vão, se não for benção é lição. Já dizia o famigerado Chico Buarque: “Tem gente que tem medo de mudança. Eu tenho medo que nada mude“. Que este ano nos sirva de grande lição.

Agende seu horário e venha conhecer as obras dos 5 artistas selecionados em nosso Edital 2020! Esperamos vcs!