Is this Art?

O hilariante Will Smith postou um vídeo na terça-feira passada, em seu Instagram, fazendo um trocadilho bem humorado sobre o que é arte e como é profundo, “bem profundo” o ato de criação do artista. Não fosse for sua localização estratégica diante da traseira da escultura em tamanho real, de um enorme touro, a pergunta faria mais sentido. Ao contrário do ator, o editor de artes da BBC, Will Gompertz publicou em 2013 o livro “Isso é arte?”, pela Editora Zahar. Gompertz de cara já nos desafia com o enunciado: “Você vai aprender: Que arte conceitual não é uma bobagem. Que Picasso é um gênio (mas Cézanne talvez seja melhor). Que Pollock não era um picareta. Que não há cubos no Cubismo. Que um mictório mudou os rumos da arte. E porque seu filho de cinco anos na verdade não sabe fazer melhor que os artistas”.

Como uma bússola o livro nos guia aos quatro cantos do mundo com explicações elucidativas acerca dos acontecimentos históricos de cada país e seus respectivos representantes da Arte naquele momento. Para quem tem ou não intimidade com História da Arte, após a leitura do livro, não fica difícil entender porque Salvatore Mundi, de Leonardo Da Vinci atingiu a maior cifra de todos os tempos, num leilão internacional.

A Arte é como um imã que atrai todos os opostos e sinaliza uma resposta para cada problema. Ela não está sendo produzida para dizer o que é certo ou errado, ela apenas registra o momento e nos induz a procurar uma resposta verdadeira sobre este problema. Quanto mais verdadeira, mais eterna e universal ela se torna e transforma a História da Humanidade. São inúmeros os exemplos, assim como inúmeros os artistas. Cada qual dentro de seu propósito, de sua realidade e nas devidas proporções de tempo, espaço e lugar.

Um marco da História da Arte bem recente foi a demolição do atelier do artista chinês Ai Weiwei, em Pequim, na semana passada. Ai Weiwei foi exilado de seu país por fazer ácidas críticas à política chinesa e atualmente vive em Berlim, na Alemanha. Este é o segundo atelier do artista destruído na China.

Um marco para História da Arte Brasileira aconteceu ano passado com a censura da mostra QueerMuseum, que se confrontou com os padrões conservadores e falsos moralistas do país do Carnaval. Não bastasse a difamação mal intencionada e fake nas redes sociais, a agressão gratuita e falta de respeito com os artistas renomados foi ultrajante. Felizmente o tempo se encarregou de esclarecer e punir estes irresponsáveis por danos morais, no entanto o episódio veio apenas registrar uma época obscura, a qual estamos vivendo. Se for desagradável visitar uma exposição que tenha como tema a discussão dos valores sexuais, de gêneros e trans, tão pior será a reação das famílias de bem, recatadas e do lar ao descobrirem que o parente mais próximo é adepto ao time gay.

Ora, meus amigos, a Arte não tem o propósito de ofender ou agradar, ela só tem o efeito esclarecedor. Por que a Guernica (1937), do artista espanhol Pablo Picasso é uma das obras mais impactante de sua carreira? Porque ela nos mostra a verdade nua, crua e sangrenta de uma guerra civil genocida e, sem querer ofender, ultimamente estamos muito pouco preparados para enfrentar a verdade, não acham? E sim! Uma performance de um homem nu representando os “Bichos”, de Lygia Clark no Museu é arte sim. E não! O artista não é um pedófilo. O é, quem pensa em pedofilia ao olhar para o artista nu. Você quer entender o que é Arte, dispa-se de falsos moralismos e olhe sem preconceito, mas com um ponto de vista ético, social e histórico. Sempre mantendo um pacto com a verdade! Isso é Arte!

guernica-pablo-picassoPablo Picasso, Guernica, 1937. Museu Nacional Centro de Arte Reina Sofía. Via Google