Garimpando o Caos

Iniciamos o mês com intenso aprendizado e trocas culturais realmente significativas. O GARiMPO-COLECiONiSMO superou nossas expectativas e estamos ansiosas para as próximas palestras. Farei aqui apenas um breve relato das informações garimpadas dentre tantas preciosidades ditas e experimentadas durante a primeira semana do evento.

Parece repetitivo dizer que o “autoconhecimento requer pesquisa”, mas ainda faz muito sentido quando nos questionamos sobre quem somos e o que viemos fazer nesta dimensão (em qualquer idade). A palestra “Poesia e Autoconhecimento”, por Luciano Alves Meira elucidou o quanto podemos nos aprofundar em nosso caos interior para encontramos, enfim a ordem para iluminar a nossa caminhada pela vida. Baseado no “iKiGAi”, conceito japonês que busca a “razão do ser”, muitas perguntas poderão ser respondidas se houver sinceridade e se formos justos com nossos princípios. Ao longo da palestra foram recitados poemas de grandes nomes da literatura como Manuel de Barros, Manuel Bandeira, Machado de Assis, Fernando Pessoa e Olavo Bilac. Que gratificante foi nos autoconhecermos um pouquinho através da Arte e da coletividade!

Em seguida, a palestra da professora-artista, Fabíola Morais “A Arte está entre nós?” tratou do alcance e da multiplicidade de manifestações artísticas que acabam por dissolver suas linguagens. Fabíola demonstrou através do atelier do artista anglo-irlandês, Francis Bacon (1909-1992) os contrastes artísticos: “há uma relação entre o caos do atelier em oposição à assepsia da pintura. É utilizando a superfície da tela que o artista fixa suas ideias em algum lugar, enquanto navega no caos”. Observar os registros da balbúrdia do atelier nos é muito marcante e curiosamente a escolha por este artista não foi à toa. Uma Galeria de Arte em Londres abriu recente mostra com obras selecionadas de Bacon que exploram um tema que o preocupou ao longo de sua carreira: “a relação entre duas pessoas, tanto física, quanto psicológica. As imagens perturbadoras do artista, suas interpretações, de amigos e colegas e as deformações e distorções estilizadas de temas clássicos, alteraram radicalmente o gênero de pintura figurativa do século 20. Nas pinturas de Bacon, a presença humana é evocada às vezes visceralmente, em outras vezes mais fugazmente, na forma de uma sombra ou de uma figura turva e vigilante. Em certos casos o retrato toma forma de um composto no qual traços corporais masculinos e femininos são transpostos ou fundidos” (Via @gagosian).

Assim como o anglo-irlandês, outra grande artista rompeu padrões de sua época, mas preferiu o ostracismo durante um longo período até suas obras elucidarem ao mundo a corajosa jornada de uma mulher do século XIX. A palestra sobre Psicologia e Astrologia, por Larissa Siqueira relacionou “O símbolo do círculo na Psicologia Junguiana e a Arte de Hilma af Klint”. Nossa astróloga trouxe à tona informações privilegiadíssimas sobre a origem do mundo, as relações espirituais e como o psíquico reage a tudo isso mergulhando nas circunferências da Psicologia e da Arte. Na esfera do psiquiatra Carl Jung (1875-1961) o círculo simboliza a psique onde está contido o ego, o ser, a persona, o anima/us, a sombra, o consciente e o inconsciente, quando que na pintura da sueca Hilma af Klint (1862-1944) nos deparamos com uma série de estudos magnificamente trabalhados em formas orgânicas e cores, uma das quais ela denominou de “Caos Primordial” (1906-1909). Assim como Mondrian, Hilma se utilizou das cores para definir a formação do mundo, sendo representado pela cor amarela: o masculino, pela cor azul: o feminino e pela cor verde: a união deles. A série investiga o caos e a formação dos seres através de símbolos, como a cadeia de DNA, a fecundação do óvulo pelo espermatozoide e a divisão das células. O caos seria então, uma ordem infinita que se disciplinaria a partir de escolhas, atitudes e relações.

Como diria outro grande artista, o músico pernambucano Chico Science “porque eu me organizando posso desorganizar, porque eu desorganizando, posso me organizar”. Estejamos atentos aos sinais da Natureza, da Arte e dos Espíritos. As forças ou energias da intuição tem muito que nos ensinar além da razão! Venha se sensibilizar com a Arte! Esperamos vcs para as próximas programações culturais. Acompanhem nossas postagens, concorram aos sorteios e participem desta garimpagem ao caos cultural!

Ilustra o texto ensaio fotográfico por Alejandro Zenha, destaque para obra de Siron Franco da década de 80. O artista goiano teve fortes referências de Francis Bacon deixando transparecer, nesta obra, a unidade de duas formas ou corpos, físico e psíquico, que pairam sob um fundo oval cor de terra.

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