Eternidade

Essa ideia: ‘a arte me faz importante, me confere a possibilidade de eternidade’, está implícita no pensamento de Mario de Andrade, quando escreve seu antropofágico artigo sobre a Família Artistíca Paulista e menciona a arte como forma de ascensão social por parte dos operários e artesãos” (Relíqueas de um desconsertante artesão, Tribuna de Minas/BH, 1989).

Eu queria tanto compartilhar o que eu vejo. Agora só consigo pensar na minha relação com a eternidade“. (Filme sobre Van Gogh, No Portal da Eternidade, 2018)

O que é construir uma relação com a eternidade?

É produzir algo que tenha relação com uma linguagem estética e que tenha escolhas adequadas ao contexto visual, algo que proporcione uma experiência artística virtuosa!

Mas como saber se esta experiência é virtuosa ou não?

O cineasta e crítico de cinema, Arthur Tuoto postou em suas redes sociais a seguinte pergunta:

Todo filme pode ser considerado arte?”

Ele responde com a premissa de que “todo filme, independente do seu gênero tem a possibilidade de propor uma experiência artística. Seja um blockbuster ou um filme cult, uma obra deve ser julgada unicamente pela sua relação com a linguagem”.

Essa resposta se encaixa perfeitamente para as Artes Plásticas, eu trocaria só o termo ‘gênero’ por ‘estilo’. No mais Tuoto se desdobra em justificar porque às vezes, um filme cult, ou alternativo, nem sempre é um filme que tem boa relação com a linguagem e que às vezes filmes blockbusters, ou comerciais são filmes mais autorais e proporcionam uma boa experiência artística porque fizeram escolhas mais adequadas, ou seja mais acertivas ao contexto do enredo. O mesmo se pode dizer sobre artistas com estilos conceituais, ou undergrounds aos mais empreendedores, ou comerciais. Ora, produzir obras provocativas ou que causam estranhamento só pela vontade de causar é fácil, difícil é estabelcer um discurso que justifique a provocação dentro da linguagem da estética artística.

Muito tem sido feito por aí, digo até por artistas renomados, que produzem obras que querem “inovar tanto que acabam indo para um lado meio sádico, do choque pelo choque. Obras que me parecem pseudo artísticas, que impõe uma ideia de estranheza, que soam muito forçadas”. Outra fala de Tuoto que se encaixaria em certas obras de artistas do circuito.

I asked my self why should I invent new imagens when there are so many in the world? I don’t have to create more. My strategy is to select existing images and recreate them. And I prefer this as a way of engaging history“. (Adriana Varejão via @gagosian)

Aqui a artista expõe seus valores estéticos e dá a dica sobre uma interessante estratégia, mas sempre com escolhas de elementos precisos para sua pesquisa visual. Aos artistas perdidos em suas escolhas narcisístas eu sugeriria uma rota às sábias palavras da eterna Adriana Varejão e às sensatas críticas de Arthur Tuoto.

Ilustra o texto obra do artista Tarcísio Veloso que consciente ou insconsciente segue a cartilha da artista carioca, selecionando minuciosamente imagens onde as compõem com equilíbrio e delicadeza, nos proporcionando uma virtuosa experiência e eternizando sua linguagem artística!