Entrar ou não na toca

A vida imita a arte ou a arte imita a vida? Esta é a pergunta que não quer calar!

Em 2000, o artista brasileiro Eduardo Kac, professor de arte e tecnologia, na Califórnia criou um projeto de bioarte desenvolvendo sua pesquisa a partir do experimento de células que brilham nas medusas marítimas, introduzidas numa coelha que ele denominou de Alba, doada para fins laboratoriais pelo departamento científico francês.  O experimento teve como resultado a fluorescência da pele da coelha, quando submetida a raios ultravioletas. A associação de defesa aos animais e o departamento francês reagiram com críticas e restrições ao projeto do artista alegando danos à saúde do animal e interpelando pela devolução da cobaia à instituição responsável, a qual o artista alegaria cuidar do bichinho com todos os critérios necessários, como se fosse seu pet. Mas de nada adiantou o argumento, Kac teve de devolver o animal.

E então, até quando a Arte é Ciência e a Ciência é Arte? A experiência abriu margem para estudos e questionamentos do quanto e como o homem pode interferir na natureza.

Uma recente polêmica aconteceu na China, com o experimento do médico He Jiankui, que alegou ter criado bebês geneticamente modificados alterando genes embrionários das gêmeas nascidas na última semana do mês de novembro.  A ideia seria prevenir ou combater a contaminação do vírus HIV, alterando o código genético das bebês antes do nascimento . O experimento também causou ácidas críticas no que diz respeito à ética e a segurança, mesmo porque não houve uma consulta prévia sobre esta experimentação ao Conselho de Medicina.

Mas afinal, até quando o homem pode interferir na natureza sem que haja graves consequências?

O experimento do artista brasileiro com a coelha Alba nos leva a reflexão da literatura épica de Lewis Carroll, seguir o coelho, entrar ou não na toca, eis a questão. Uma escolha desafiadora e ao mesmo tempo tenebrosa. Quem tem coragem de enfrentar o mundo maravilhoso da curiosidade tem de estar disposto a superar suas consequências, sejam elas para crescer excessivamente, ou diminuir absurdamente.

No entanto sabemos que só quem prova do veneno, pode manipular seu antídoto. E assim segue a Humanidade!

albagreen

Eduardo Kac, 2000, Bioarte, “Alba”