Domos

Domos, do latim domus que derivou as palavras: dom, domicílio, doméstico, domificar, ou dividir em cúpulas (casas) é o tema do texto, cuja imagem foi extraída do Instagram de uma amiga das antigas, residente há mais de 10 anos na Alemanha, Lorena Ribeiro (@lores1810).

Lorena visitou o Museu da Ciência, Klimahaus Bremerharen e registrou a instalação do artista Michael Pinsky, que consiste em 5 cúpulas geodésicas construídas para a apreciação do espectador aos ares de 5 grandes metrópoles mundiais e a comparação da poluição existente em cada uma delas. O gráfico e o próprio odor oferecido em cada cúpula comprova as diferenças e perigos da poluição para a saúde. A mostra é itinerante, sua estréia foi em Londres, no mês de Abril e tem como principal meta conscientizar a humanidade dos riscos que corremos, como demostrou outro recente gráfico, na Revista National Geographic, do mês de Outubro, na matéria, “O mundo respira mal”. O site specific da mostra Pollution Pods, construído em domos geodésicos foi estratégico e ao mesmo tempo futurístico permitindo ao espectador espaço e maior mobilidade, visto que não há pilastras ou vigas na estrutura interna da instalação.

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Pollution Pods, em Londres, Abril/2018. Via Google

Esse tipo de construção nos remete imediatamente aos filmes de ficção científica, espaços astronômicos, ou de entretenimento e arte, como o Epcot Center, nas instalações do Walt Disney, nas obras de arte do artista Olafur Eliasson e de Matheu Barney, no Instituto Inhotim e mais ainda, do icônico Pavilhão norte-americano, em Montreal, do “pai” dos domos geodésicos, Buckminster Fuller. Fuller fundou a ideia estrutural dos domos estabelecendo um padrão, ordem e equilíbrio entre eles para uma criação arquitetônica leve de parâmetros igualitários e sinergéticos.

Fato ou mito, a história de vida do arquiteto norte-americano se funde à pesquisa futurística entre o arrojado estudo de estruturas geométricas harmônicas e acontecimentos intrigantes de sua trajetória, como sua expulsão de uma das mais aclamadas instituições acadêmicas, a Harvard e mais tarde, a trágica morte de sua filha. Se fizer sentido ou não, é certo que este arquiteto-inventor deixou um grande legado de pesquisa para as próximas gerações, alegando sempre a importância de se estabelecer equilíbrio e unidade entre arquitetura e sociedade.

Tão interligado ao nome, a invenção do domus beneficiou a estética e promoveu à ciência, à arquitetura e à arte uma nova estrutura de convivência, fazendo jus ao seu significado. Por essas e outras é que temos de admitir, assim como pensava Fuller e tantos outros, que “a natureza sempre será a maior fonte de inspiração para os homens”.

Que possamos respirar o ar puro que existe em cada canto, em cada lar, em cada domos do mundo!

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Pollution Pods, na Alemanha, Novembro/2018. Via @lores1810