Coisas verdadeiras

Uma coisa temos de admitir, depois que os holofotes da sociedade se voltaram para Política Nacional, não há marasmo mais não, viu! Desde o anúncio de que o filme Documentário (ou ficção/fantasia para alguns) “Democracia em Vertigem”, de Petra Costa foi um dos indicados para o Oscar 2020, até o desastroso (ou infeliz discurso para outros), do então já ex-secretário especial de Cultura, Roberto Alvim, o rebuliço social está cada vez mais interessante! Digo isso por minha causa pessoal e profissional. Como bem revelou em letras de bronze a artista, Shirley Paes Leme: “arte é para corajosos”! Mas daí você ameniza: “Ah, Tatiana, música sertaneja de raiz é arte, show gospel bem feito e estruturado é arte, o artesanato que minha tia faz em casa é arte”. Gente, é arte e não é! Depende do referencial! Vivemos em “tempos líquidos”, como diria o filósofo, Zigmund Bauman, tudo vai se misturando, só que não! O óleo, nem se bater no liquidificador se mistura à água!

Tenho uma trajetória simples no mundo da Arte, não frequento museus de arte na Europa, não visito mais atelier de artistas famosos, não participo de feiras de arte internacional, mas eu tive uma base inicial. “Meninos, eu vi”! Eu vi e participei ao que cabia no meu pequeno universo da Arte! Fui uma criança que frequentava Bienais (gratidão eterna à mamãe). Constantemente faço com que meus filhos frequentem o CCBB de Brasília, que é a arte internacional mais próxima de nossa realidade atual e financeira. Este ano se completam 12 anos de visitas em fantásticas mostras, experiências incríveis e interativas, descobrimentos científicos através do simples contato com a verdadeira Arte. A Arte que está presente em instituições idôneas, sérias, dirigidas por pessoas qualificadas, que estudam com veemência e compromisso a história e a transformação da sociedade pela construção de sua identidade artística.

É motivo de orgulho para mim, folear um livro/catálogo com a curadoria de mais de 570 artistas de 35 países e poder identificar dentre eles, alguns artistas brasileiros ou algumas obras das quais eu vi e experimentei! O livro Highlike, organizado pelo FILE (Eletronic Languange International Festival), Sesi-SP editora (2014) com informações em QRCode, traz na capa a obra “Shrink” do artista belga, Lawrence Malstaf, onde o espectador é embalado à vácuo. A curadoria incluiu obras dos brasileiros Henrique Oliveira, Ernesto Neto, Estudio Guto Requena e da dupla Rejane Cantoni e Leonardo Crescenti, dupla que participou da mostra itinerante “Disruptiva – A arte eletrônica na época disruptiva”, no CCBB (2017) com a obra “Túnel”. A escultura cinética, imersiva e interativa é composta de 92 pórticos que produz movimento e efeitos ópticos cinéticos de acordo com a posição e a massa do corpo integrador.

Um recente vídeo postado nas redes sociais do Museu TATE Modern (@tate), de Londres, traz a trajetória do artista coreano, Nam June Paik (1932-2006) que previu o avanço da informática nas redes de comunicação virtual antes mesmo de Steve Jobs e Bill Gates. Suas pesquisas se transformavam em obras de arte e instalações prestes a premeditar a tecnologia do futuro. A mostra “Björk Digital Brasília”, que vai até dia 9 de fevereiro é uma demonstração do quanto ainda engatinhamos na informática e como as crianças islandesas já tem sua visão do topo da montanha! Num show de experimentações, a cantora lança seu último álbum e seus sentimentos na Galeria 1 e 2 do CCBB-DF, tudinho em imersão virtual.

Está passando da hora de acreditarmos nas verdades e pararmos de perder tempo com as vaidades! Deixemos o palco, as mídias e os holofotes a quem tem algo a nos dizer, a nos ensinar, a nos preparar para as coisas verdadeiras!

Sejamos fortes e pacientes em aceitá-las, porque dói! Mesmo virtual, que sejamos bem-vindos à realidade disruptiva!

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“Túnel”, Rejane Cantoni e Leonardo Crescenti, na mostra “Disruptiva” do  festival FILE SOLO,  no CCBB-DF, 2017