Casa Mente Real

Aprendi uma piada muito curiosa sobre o casamento e vou descrevê-la para descontrair o texto de hoje:

A filha, ao lado da mãe na Igreja, pergunta quando a noiva, linda de véu e grinalda, faz sua entrada triunfal:

_ Mãe, por que a noiva está de branco?

_ Ah, minha filha, porque o branco é símbolo da paz, da pureza e ela está vivendo um dos momentos mais importantes de sua vida. Responde orgulhosa a mulher.

_ E o noivo, por que está de preto?

_ Cala a boca, menina! Finaliza a mãe.

“Não é sem razão que o branco é o ornamento da alegria e da pureza, sem mancha e o preto o do luto, da aflição profunda, símbolo da morte.” Kandisnky

Não se aborreçam comigo, mas a vida é feita pela atração de opostos, a mulher e o homem, o branco e o preto, a vida e a morte. Parece cômico se não fosse trágico essa analogia, mas… O casamento aos moldes católicos e todo protocolo da realeza são a prova de que estamos há milhas de distância de uma aceitação daquelas ideologias à respeito de temas tabus como os de gênero, casamentos gays, feminismo e o tal poliamor. A repercussão do matrimônio real diverge da ideologia mundial sobre esses tantos direitos ou desejos a serem defendidos pela sociedade. Ainda nos curvamos ao colonizador e aplaudimos os escolhidos de Deus para poder assistir confortavelmente a união transgressora (só que não) de uma mestiça com um nobre de sangue azul. Ora, por favor, cadê a união televisionada do Rei Eduardo VIII com Wallis Simpson?

Não bastasse a audiência do tradicional ritual católico ontem, na Inglaterra, no início deste mês contemplamos também o mega evento fashion proporcionado pela super poderosa da Vogue, o Met Gala, no Metropolitan Museum de Nova Iorque, com o tema “Corpos Sagrados: a moda e a imaginação Católica”. Ousados decotes, pedrarias e suntuosos ornamentos de cabeça foram as sensações. Nunca o Catolicismo esteve tão na moda, até o Papa cobiçaria o acessório usado pela cantora Rihanna.

Mas a Arte não enxerga os “corpos sagrados” com tanta beleza e estética perfeitinha. Afinal somos movidos pelos opostos, o que seria do branco se não existisse o preto? Artistas como o inglês Francis Bacon e sua obra “Study after Velazquez I” (1950), o argentino Léon Ferrari com sua obra “La Civilización Occidental e Cristiana” (1965), o italiano Maurício Cattelan e sua obra “La Nona Ora” (1999) e o brasileiro Siron Franco com sua recente obra “Século 21” (2017) concentram em seus currículos uma aclamada produção que também traz um sóbrio discurso sobre as verdadeiras intenções religiosas.

Desviamos nossa atenção aos glamorosos holofotes da mentira. Apreciamos, comentamos, criticamos e tentamos de uma maneira ou de outra participar de algo tão exclusivo, ou de exclusão! Mas a tell lies vison é mestre em satisfazer nossas angustias e por isso continuamos a interagir nas redes sociais, a assistir os eventos megalomaníacos e a venerar ídolos sem cérebro. Mas ainda bem que “a Arte existe, porque a vida não basta”, né Ferreira Gullar!

casa mente real

Sentido horário: Francis Bacon -“Study after Velazquez I” (1950), Léon Ferrari – “La Civilización Occidental e Cristiana” (1965), Siron Franco – “Século 21”  (2017) e Maurício Cattelan – “La Nona Ora” (1999)