Caminhar Juntos

“No sábado (26/10) foi divulgado um documento de 33 páginas com propostas como a ordenação de homens casados para atuar na Amazônia, a criação do ‘pecado ecológico’, o respeito à religiosidade não cristã indígena e o estabelecimento de um ‘observatório pastoral socioambiental’. Além disso, o documento mirou no modelo de desenvolvimento da região destacando a presença de extrativismo ilegal e desmatamento e adoção de projetos econômicos que prejudicam o meio ambiente, com respaldo de governos”. (Revista Fórum 28/10)

Lendo a matéria sobre o Sínodo* da Amazônia encerrada no domingo passado (27/10) com a missa do Papa Francisco, no Vaticano, de súbito me veio imagens do filme “Brincando nos Campos do Senhor” (1991) do diretor brasileiro Hector Babenco com roteiro do francês Jean Claude Carrière, que assinou clássicos como “A insustentável leveza do ser”, “A Bela da Tarde” e “O discreto charme da burguesia”. O filme é uma Bíblia para quem não entendeu o histórico conflito entre o Capitalismo Desenfreado X Equilíbrio Ecológico. O longa é uma obra-prima do cinema, embora realmente longo, não o seria se fracionado em episódios como vem acontecendo com as séries televisivas contemporâneas. A postura ética de cada personagem se caracteriza por suas atitudes, ideologias e experiências sensoriais. Embora cada qual se sucumba aos pecados capitais, seja pela carne, seja pela matéria ou pelo poder, o resultado é um conflito que emerge a partir de mentiras, falta de caráter e segundas intenções.

Atualmente declarar que a Amazônia é uma área restrita ao Brasil seria uma blasfêmia. Quem ainda não sabe que toneladas de minérios, madeiras, ervas medicinais escoem em canais guiados por franceses, noruegueses, alemães, norte-americanos e tantos outros do lado ocidental?! Se a moda dos ambientalistas de plantão pegasse, uma Amazônia tombada como Patrimônio Mundial de Todos os Seres Vivos, não seria má ideia, mas sabemos que os indígenas ainda trocam sementes por facões, cocares por espelhos e ouro por cachaça. Mal da síndrome de vira-lata de todo brasileiro que se preza e que também faz trocas ou compras em Miami, deposita seu suado dinheirinho nas Ilhas Caymã e alegam que os filhos terão melhor Educação no exterior, porque a nossa está muito atrasada, no entanto investem tecnologias para cultivar monoculturas em solos nacionais.

Pobre de nós, humanos: índios, negros, brancos, pardos, mulheres (bom lembrar que o Sínodo da Amazônia também previu uma maior participação das mulheres na Igreja Católica), pois carecemos de vozes divinas que nos orientem porque não podemos assumir sozinhos nossos erros, a culpa é sempre do Diabo. Por isso vos digo que só a Arte salva, meus irmãos e minhas irmãs! Creiam nisso! Sensibilizar a alma se faz através da cultura, da Arte, da construção criativa, do amor ao conhecimento! Não se enganem, o ‘resto’ é só distração! Que Nossa Senhora nos proteja de todo nosso próprio mal! Amém!

Ilustra o texto obra da artista alemã Eleonore Koch (1926-2018), única discípula do consagrado artista italiano, Alfredo Volpi (1896-1988).

*Sínodo – do latim Sinodu, do grego Synodo; syn juntos, hódos caminho

eleonore

Eleonore Koch, técnica mista sobre papel