Brasilian

Ainda sobre o post do domingo anterior, um filme do cinema nacional que também relata a realidade brasileira e tem uma versão poética e criminosa dos filmes de ação, um misto de Al Capone carioca com uma carnificina tarantiniana. “Alemão” (2014), tem como antagonista o personagem do ex marido da Grazi Massafera, Cauã Reymond, o Playboy investigado por um grupo de policiais à paisana. Gostei muito! A brutalidade, a precariedade das moradias, o medo, os castigos e a sexualidade das cenas na favela são quase que resgates das senzalas comandadas por Al, ou el capitán do mato e o tal senhor feudal. O frenesi em ritmo de funk, o molejo do corpo, da massa exclusa da sociedade e um misto de fetiche dessa simplicidade visceral que incita a pergunta que não quer calar: como conseguimos chegar nisso? Bom lembrar que o filme é uma metáfora sobre a vida real de Nem.

Gilberto Freyre cita em capítulos alternados, notas das diversas revoltas civis que emergiram de disputas raciais, sociais e culturais, entre os períodos da escravidão até depois da Proclamação da República: Guerra dos Palmares (1695), Cabanagem (1835), Farrapos (1835), Sabinada (1837), Balaiada (1841), Mascates (1879), Canudos (1895). Revoltas, motins, genocídios são características de disputas pelo poder por meio da força bruta. Quando não burgos, então ainda feudos, fortes e em frente a monopólios, lavouras de cafés, de canas, de louros, de ouros, que foram recursos e fontes inesgotáveis de exploração. Freye reforça que no século XIX a migração mundial para cidade de Ouro Preto, em Minas Gerais fortaleceu a miscigenação de hábitos, principalmente da gastronomia. Vindos árabes, europeus, africanos alforriados e asiáticos, o culto ao garimpo e as promessas de fortuna afortunaram a formação cultural do país também pelo estômago, que aliás é o nome de outro filme nacional, “Estômago” (2008) digno de se assitir, segundo mamãe!

Movida pela casualidade do encontro, inspirei nas imagens da minha ‘irmã’ mineira, que me encaminhou registros de sua recente viagem à Chapada Diamantina (BA), outro canto de exploração mineral que fulminou a abertura de trilhas e lugares inspiradores do território nacional. Um museu à céu aberto que acolhe instrumentos, balança, ferramentas, munição e armas do período da mineração. Uma maravilha escondida entre as ruínas das antigas minas de diamantes, sob o Sol escaldante da Bahia e a modesta simplicidade brasileira. Sempre a caminho do descobrimento!

As fotos são da querida Juliana Pace. O lugar abriga ruínas de um antigo garimpo, esculturas ao longo do paisagismo dos jardins em pleno sertão, uma galeria de arte e um restaurante.