Banho de Sensibilidade

Poucos ambientes me impressionaram na CasaCor 2017, mas os que o fizeram foi pra valer, como a Sala de Banho Aldeia. Ela expira uma primeira impressão sobre o feminino, o fértil e parodiando Marvin Gaye, o “sexual feeling”. É delicada sem ser frágil e forte sem ser rude. Inúmeras são as sensações que se vive neste ambiente e, em sua maioria, são humanamente boas.

O mobiliário arrojado e toda sorte de elementos dispostos e posicionados sobre eles são de curadoria da dupla Adriana Mundim e Fernando Galvão. De fato há muita força nos sobrenomes. A árvore genealógica é um dos fatores primordiais dos sintomas herdados dos pais e avós. A trajetória de gosto apurada, sempre em processo construtivo do casal, tem o diagnóstico de ser “deliciosamente cuidadosa” nos detalhes e nos pequenos caprichos ainda mais quando se permitem ousar com muita sutileza! São experimentais e investem no equilíbrio e harmonia de seus projetos. Não poupam esforços para preencher cada espaço com memória e objetos sensoriais.

Na sala do banho não é diferente. Lá é possível experimentar sensações lúdicas como a de estar dentro de um aquário. O ambiente tem cheiro de fragrância perfumada, água do mar, algas e sonhos marítimos. O extenso aparador de vidro onde pedras em tons frios estão contidas é o conjunto perfeito com a foto do artista goiano, Rogério Mesquita, que reflete a imagem duplicada da modelo submersa em água azul. Ali, de súbito, é possível acreditar que sereias existem!

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Um lounge à frente de poltronas claras e aspecto bem macio é um convite ao conforto e uma celebração ao descanso. O lavatório e o espaço íntimo receberam um inventivo revestimento na parede. O geométrico mosaico em mármore branco, da Mosarte lembra a tridimensionalidade das obras do renomado artista, Sérgio Camargo.

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Ao lado dela outra sensação, outra cor, outro cheiro. A sauna que exala um odor de calor e limpeza em deck de madeira cuidadosamente delineado é a experiência mais próxima de prazer sensitivo que tive desde os “Penetráveis” de Hélio Oiticica. O grande diferencial é que eu estava descalça na instalação do artista carioca e nela tudo era permitido tocar e pisar. Ficou em mim a deliciosa sensação de sentir a madeira quente e firme do chão! (imagem ilustrativa do banheiro da CasaCor São Paulo e abaixo imagem da obra “Penetráveis”, de Hélio Oiticica).

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A última experiência sensitiva foi observar o lapidado design das louças do banheiro: a banheira, a pia, os vasos sanitários… Só de olhar percebemos a facilidade de manter a sua higiene pelo formato leve, límpido e simples. A experiência de visitar a Sala de Banho Aldeia é de imediato associada a um spa de alto padrão e até mais confortável e inspiradora, porque tem algo importante a nos dizer.

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Um ambiente despretensioso que foi minuciosamente projetado com originalidade e simplicidade. Uma dupla como a Adriana e o Fernando é referência convicta para ambos os predicados. Numa sala de banho assim, certamente o personagem do “Cascão” mudaria seu ponto de vista a respeito do asseio pessoal. Ali nós literalmente tomamos um banho de sensibilidade!

Crédito das imagens @adrianamundimfernandogalvao e @aldeiaacabamentos

adriana fernanda