As árvores

No dia 1° de Janeiro fui surpreendida com a postagem da editora e curadora de arte, Beta Germano, com textão sobre o panorama da Arte Contemporânea Brasileira e o saldo positivo das mostras de arte no país no ano de 2018. A imagem do post de seu Instagram é da artista ativista Rosana Paulino, que tem um discurso afiado com o feminino africano. Na obra, as costas da mulher se transforma num elo entre os ramos que sobem por sua cabeça e as raízes que descem pelos seus pés. Em pensar sobre as árvores e sua biofisiologia, cabe uma das leis herméticas: “tudo que está acima é como o que está abaixo”. Sua etimologia também está relacionada aos misticismos da natureza e aos fenômenos vibracionais. Do latim, ÁRBOR derivou palavras em línguas românticas como no francês e catalão: ARBRE, no castelhano: ARBOL, no italiano: ALBERO e no galego: ÁRBORE. Na palavra da língua portuguesa, onde a letra “b” do étimo latino está ausente, ÁRVORE tem um tom ainda mais poético e romântico!

As árvores são as maiores responsáveis pela produção de água ou chuva do planeta, além de cuidar para que o clima permaneça agradável, sombreado e com galhos cheios de frutas gostosas para comer. Conta uma antiga história que os Yules, festividades pagãs para o culto ao deus-sol, o solsístico de inverno e Saturno (o deus da colheita) era celebrado através do simbolismo das árvores, de onde vem sua representatividade no Natal. Os pinheiros, árvores muito resistentes ao inverno, saíram vitoriosos na preferência natalina, pois a história desses povos pagãos conta que eram realizados rituais e oferendas aos deuses sob os pés das árvores para trazer prosperidade e fertilidade à Terra.  As árvores eram consideradas o elo entre o Céu e a Terra e guardiãs dos espíritos. Pagãos da Europa cultuavam os Carvalhos, árvores predominantes na região, uma espécie extremamente forte e que chega atingir 40m de altura. A estrela no topo estava associada ao Sol e ao pentagrama. Mais tarde, passou a representar a estrela de Belém com a ascensão os povos ao Cristianismo. De acordo com a tradição cristã a árvore deve ser montada no primeiro domingo do advento, ou seja quatro domingos antes do Natal e ser desmontada no dia de Reis, dia 6 de Janeiro, ou seja, hoje! (Via @sabedoria.transcendental)

Desde 2008 a imagem da árvore é fonte de inspiração para nós. As intervenções da Famiglia Baglione, de São Paulo permaneceram por algum tempo em nossas paredes no salão de exposição e para sempre em nossa memória. Nosso cartão postal de Feliz Festas de Fim de Ano do ano citado foi a imagem do trabalho do artista paulista Felipe Yung. No ano de 2011, o desenho em nanquim da árvore do artista Wés Gama foi o selecionado. Elegemos, para o cartão virtual de 2018, as árvores do artista mineiro, Carlos Cordeiro.

A árvore não é só uma matéria viva estática, pelo contrário, ela se move e se desloca tanto para cima, quanto para baixo, tanto para os lados, quanto sob o vendo, através da polinização dos insetos, no vai e vem das estações do ano, na grandeza e fortaleza com que envelhecem certas espécies permanecendo em pé até mais de 2000 anos. Realmente é um ser vivo impressionante, porque se multiplica através de pequeninas sementes e absorve da terra o que ela tem de melhor a oferecer. Se ela abriga espíritos ou não, isso eu não sei, mas sei que uma sensação muito boa acontece quando a abraçamos! A árvore é verdadeiramente uma obra-prima da Natureza! Abrace, ame, plante!

baglioneFelipe Yung “Flip” e Thaís Beltrame produzindo suas árvores em 2008.

treesDesenhos do artista goiano Wés Gama, 2010 e do artista mineiro Carlos Cordeiro, 2014.

rosana

Obra de Rosana Paulino, 2018, via @betabergamo