Angels

A Arte tem curiosos caminhos para demonstrar pontos de vistas inusitados nos proporcionando novas alternativas de interpretação e análise. Como uma boa cinéfila não poderia deixar de citar mais um filme cult para ilustrar essa nossa conversa. Com um elenco masculino de peso “Snatch – Porcos e Diamantes” (2002), começa com uma cena hilariante. Assaltantes à uma joalheria, disfarçados de judeus, travam um diálogo interessante, dentro do elevador, até chegarem ao seu destino. Um deles cita a canção da diva do pop Madonna, “Like a Virgin” (1984) e divaga sobre o significado da letra da música, quando um dos seus companheiros acrescenta a informação de que a tradução do termo virgem, do hebraico para a Bíblia é errônea. Em verdade, a interpretação ou tradução correta teria de ser jovem para designar a gravidez de Maria. Isso tudo para ressignificar a experiência da personagem da música, isto é, a história da cantora que sofreu um estupro, ou propor uma nova alternativa da história romantizada da Bíblia sobre a gravidez de Nossa Senhora, que não era virgem, mas jovem.

Esta é só mais uma passagem curiosa das histórias e pontos de vistas machistas que aos poucos vão se desmistificando. Muitos tabus e preconceitos tem sido quebrados, estraçalhados e enxotados nesta Era de Aquário. A surfista brasileira, Maya Gabeira acaba de ganhar o recorde em surfar a maior onda do mundo, sendo a primeira e única mulher, até agora, a conquistar o título. As jogadoras de futebol acabam de ser contempladas pela CBN com os mesmos salários dos desportistas masculinos. E mais, acaba de virar um anjo, a pequena grande figura da justiça, a norte-americana Ruth Baden Guinsburg (1933-2020), uma feminista diplomática que fez valer valores humanos na luta por direitos iguais entre os sexos. Se já era difícil ser mulher naquela época, imagine para uma judia, mãe e grávida. Guinsburg rompeu com padrões da sociedade e driblou situações para prevalecer os princípios femininos preservados pela Constituição.

A Netflix oferece uma série um tanto quanto desconfortável, mas onde é possível enxergar padrões arcaicos da sociedade como os episódios de “Nada Ortodoxa” (2020). Não que, literalmente, a história seja verídica, mas a ficção é só um começo para identificarmos o quanto ainda os dogmas religiosos seguem atrasados e incompatíveis com a Era Contemporânea.

Que possamos ter tantos anjos na Terra como no Céu para nos abençoar e perdoar nossas falhas humanas. Que possamos enxergar através da Arte alternativas e novas interpretações para ressignificarmos as coisas e os princípios da vida. Ilustra o texto desenho em carvão sobre papel de Carol Nolasco, uma das 5 artistas selecionadas do nosso Edital 2020. Agende a sua visita e entre no universo da Arte e suas inúmeras alternativas de interpretação!