A Morte

No dia 05 de Outubro o artista baiano, Tarcísio Veloso realizou um bate-papo para nos contar sobre sua inspiração da mostra “A vida é sonho”. Entre a declamação do poema do espanhol, Calderón de La Barca e a proposta ou a provocação da questão que aborda o tal conflito da vida, Tarcísio interpelou: “O que você faz para não ir para  inferno”?

Do ponto de vista Religioso me parece ambígua certas respostas, pois que nossas falhas, conscientes ou não, hão de ser penalizadas aqui mesmo, nesta vida, nesta dimensão, nem no Céu, nem no Inferno, mas exatamente aqui e agora, na Terra.

Do ponto de vista Filosófico entraremos em mérito da Ética da conduta sobre Direitos e Deveres Humanos. Praticar a Verdade, independente se ela é boa ou má seria o caminho mais acertado para não irmos ou não transformarmos nossa vida num inferno.

O Canal brasileiro, Curta! reexibiu o Programa Caixa-Preta (2018), que tem como sinopse: “Qual mensagem você deixaria em uma caixa-preta para as futuras gerações”? A pergunta foi feita para pensadores de diversas nacionalidades da Área de Humanas: Amós Oz, Carlo Rovelli, Eduardo Giannetti, Gilles Lipovestky, Jan Gehl, Leonardo Paderno, dentre outros. Suas respostas lúcidas e verdadeiramente convincentes são uma reflexão para a retomada à um Neo-Iluminismo, onde o repensar dos valores na construção do saber, da diversidade e da empatia uns com os outros seriam prioridades.

Meu filho de 11 anos me fez uma pertinente indagação. Ao passarmos em frente à uma dessas igrejas evangélicas, ele reparou nos imponentes pilares que sustentam a fachada em estilo greco-romano e curiosamente replicou: “Mãe, por que eles imitam a arquitetura grega, que era politeísta, para construir igrejas monoteístas”?

O plágio já se tornou uma virtude do ser humano em benefício ao Diabo, mas ninguém percebeu ainda. No entanto, as ambiguidades da Bíblia podem ser bastante interessantes quando bem traduzidas e expressadas, principalmente no Velho Testamento:

“A vida é um absurdo! Sorte penosa foi criada para cada homem e, jugo pesado foi dado aos filhos de Adão desde o dia que saem do ventre materno até o dia em que voltam para Mãe de Todos. O objeto de suas reflexões e o temor de seu coração exprimem a espera pelo dia da morte”.

Em Eclesiástico, 40 (Editora Pastoral, @Paullus , 2013) esta interessante passagem, cuja literatura nordestina de Ariano Suassuna reavive em “O Auto da Compadecida” é interpretada pela magistral atuação da atriz, Fernanda Montenegro, na personagem de Nossa Senhora, Mãe de Deus:

“É preciso levar em conta a pobre e triste condição do homem. Os homens começam com medo, coitados. E terminam por fazer o que não presta. Mas é sem querer. É só por medo. Medo de muitas coisas: do sofrimento, da solidão e no fundo de tudo, medo da morte”.

Ao Tarcísio, responderia que o que poderíamos fazer para não ir ou estar no inferno seria enfrentar nosso medo da Morte e para as próximas gerações minha mensagem seria para aprendermos melhor em como enfrentar nosso medo da Morte!

Pois que: “Na (Mãe) Natureza, nada se cria, nada se perde, tudo se transforma” (Antonie Lavoisier)!

tarcisio

Tarcísio Veloso, “As flores”, 100 x 90 cm, óleo sobre tela, 2019