A inteligência do Futuro

Há um ano encerrávamos a mostra individual do artista goiano, Pitágoras “Human and Machine – Retrospectiva”, com curadoria inspirada no filme cult inglês “Ex-Machina: Instinto Artificial” (2015), do diretor Alex Garland. O filme abordava o princípio do Teste de Turing, proposto pelo inglês Alan Turing (1912-1954) para identificar, através de um questionário, se este era respondido por um humano ou um robô. O filme vai mais além, confirma a superioridade da inteligência artificial, personificada na forma feminina, que superava a estratégia manipulada por dois homens. A palestra da última quinta-feira “O Futuro do Trabalho”, por Nathália Kelday, me remeteu às pinturas de Pitágoras e às marcantes cenas deste filme inglês. Segundo nossa palestrante, a 4ª Revolução está a caminho, depois da Agrícola, da Industrial e da Informacional estamos prestes a encarar a revolução em áreas como: robótica, nanotecnologia e biotecnologia, que farão parte de nossas vidas diariamente. O conceito VUCA (volality, uncertality, complexity, ambiguity) é um dos sintomas da contemporaneidade que corre contra o tempo e abre parênteses sobre as perspectivas e qualidades de vida para o futuro. A mente humana terá de acompanhar a tecnologia a passos largos, visto que os robôs já começam a ocupar diversos cargos de humanos, além de suprir e substituir os produtos de primeira necessidade, como os alimentos produzidos por células troncos em laboratórios e estufas.

Assustador, né! Ou não! Num artigo para Revista Cultura, do ano passado, a personagem que ilustrava a página era a robô Sophia, primeira androide do mundo a receber cidadania. O autor indaga a respeito de um detalhe muito importante: se é possível que os robôs executem todas as funções dos homens, será que conseguiriam também escrever poemas, produzir obras de arte, compor músicas, desenvolver coreografias de dança, ou amar?

Em filmes de ficção científica ou até desenhos animados, os robôs já são providos de sentimentos ou acabam por desenvolvê-los ao longo do enredo. Então, será que o corpo, ou a máquina não seriam apenas um veículo de armazenar energia, espírito, alma, ou o “Pó”, como é citado na Bíblia? O CCBB-DF recebeu a mostra do excepcional e gótico para sempre, o diretor americano, Tim Burton. Dono de uma criatividade ímpar Tim Burton dirigiu um filme, em 2009, que responderia a esta última questão, a animação “Salvação 9”. Um tesouro para a compreensão mística e científica da essência humana, que no imaginário de Burton seria possível ser transferida para corpos de bonecos de juta, que ganhariam vida e inteligência.

Uma coisa é certa e bem previsível, a essência dos seres mais sensíveis e equilibrados emocionalmente estará muito mais preparada em aceitar o futuro e se adaptar a ele, que qualquer conta bancária, beleza ou currículo acadêmico. Teremos de desenvolver mais nossa sensibilidade para abraçarmos o desconhecido e a diversidade cultural e assim, nos preparamos para um futuro mais próspero, ameno e inteligente! Cuidemos mais de nossa alma, de nosso espírito, de nosso pó, porque ao pó voltaremos!

idmais pit

Obra de Pitágoras em ambiente por @idmaisd