A Arte agradece

“Desde novo eu trabalhei com a serralheria, metalúrgica e não tem como eu fugir da minha origem. O trabalho fala de arquitetura, de fotografia como o Maat e essa tecnologia avançada sobre a fotografia digital. E hoje em dia o artista tem que pensar sobre isso. Essa evolução, esse processo. Eu sempre procuro trabalhar com algo que ultrapasse. A gente quebra essa coisa da imagem simples”.

A fala é do artista baiano, Evandro Soares radicado em Goiânia, que acaba de integrar sua obra ao acervo do Maat – Museu de Arte, Arquitetura e Tecnologia de Lisboa, em Portugal. Em comemoração ao Dia Mundial da Fotografia, no próximo 19 de agosto e a 13ª Edição da Sp-Arte Foto, que começa na próxima semana (21 a 25/08), o Salão dos Artistas Sem Galeria promovido pelo Impresso e o Site Mapa das Artes com a Casa Lâminas abriu ontem (17/08) mostra paralela onde o artista com vários amigos participam da “Fotografia no Salão”.

Evandro Soares iniciou sua pesquisa com a geometria simplista do losango da pipa, depois subiu alguns patamares com minuciosas soldas em suas escadas verticais e também escadas retas (tipo perspectiva). Depois descobriu os cubos e suas interseções. Ampliou sua percepção com as fachadas concretas e espelhadas dos prédios das metrópoles e as registrou com seu engenhoso olhar de artista. Entre uma janela e outra, Evandro cuidadosamente molda seus fios de aço desenvolvendo uma técnica própria de execução. Ora impressa em papel de algodão, ora em chapa de alumínio, a fotografia recebe tratamento especial ele mesmo fabricou uma máquina a vácuo para colar ou prensar a fotografia sobre o fuan, nas medidas em que necessitar.

Incrivelmente habilidoso, o artista viabiliza seu modus operandi e transforma sua matéria prima em arquitetura, ficção, construção. ‘Arquitetura inventada’, ou como ele denomina a evolução de seu trabalho mais recentemente, ‘Construção Fotográfica da Arquitetura’ é a intervenção ou o prolongamento do desenho arquitetônico fotografado. Um pouco clichê, mas uma verdade para sempre ser dita e repetida, o artista poeticamente traduz seu ofício:

“A autoconfiança é crucial. Os artistas não pedem permissão para pintar, escrever, atuar ou cantar. Simplesmente vão lá e fazem”.

É isso mesmo, Evandro! Vai lá e faça, faça mesmo, faça sempre, sem parar!

A Arte agradece! A gente agradece!

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Evandro Soares, intervenção sobre fotografia, 2018